ENSAIO: “BATMAN VS SUPERMAN” – EM BUSCA DA IDENTIDADE

Por João Paulo

Ver criticas positivas e negativas de Batman vs Superman: A Origem da Justiça em alguns momentos é uma classe de como ainda é possível manter o senso critico apesar do sonho de criança se transformou literalmente em uma verdade. Em outros momentos é um show de egocentrismo que muitas vezes se transforma em uma festa de fanboy em níveis alarmantes que qualquer rebate critico se transforme: se você falou belezas é Dcnete ou se fala muito mal, é Marvete. Mas aqui o ponto não é falar sobre isso, afinal o próprio filme convida a que o espectador tome partido do que se assistiu. Entretanto o foco nesse ensaio é bem simples e é algo que está acontecendo atualmente nas adaptações de quadrinhos.

Após a Marvel em meados de 2007 se transformar em um estúdio de cinema e comprando os “direitos” dos seus personagens de algumas adaptações falidas, começou com passos ambiciosos e que inicialmente, existia o descredito. Após os créditos final de Iron Man, no qual o espectador ainda estava em êxtase com o que assistiu, aparece Nick Fury chamando Tony Stark para a iniciativa Os Vingadores. Pode ser uma cena simples, mas foi a cena que literalmente abriu o espaço para o império que iria se transformar a Marvel Studios no cinema.

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Por outro lado a DC estava chegando ao seu ápice com a segunda parte da jornada do Cavaleiro das Trevas, filme que consolida Christopher Nolan como diretor e ainda mais, Zack Snyder entra em ascensão por 300 e consequentemente, Watchmen. Entretanto, no departamento do cinema continua com o problema básico de emplacar alguma adaptação de seus heróis que fogem da vertente Batman e Superman e amargando decepções por muitos fãs de Mulher Gato, Superman O Retorno e Lanterna Verde.

De alguns anos para aqui, o jogo mudou. A Marvel literalmente entrega o impossivel com Os Vingadores e batendo recordes de bilheteria e principalmente de aprovação entre os críticos já que em sua maioria, muitos de suas adaptações conseguem ao menos notas superiores a 65% no rotten. Enquanto a DC não consegue reagir bem e a conclusão da trilogia de Nolan não entrega um final satisfatório e até duvidoso aos padrões que o próprio cinema de Nolan entregava. Fora o fato que também a reinvenção do personagem de Superman não foi tão bem sucedida quanto se apresentava ser.

As vistas claras, se nota que existe a superioridade da Marvel no cinema. Os números não mentem e sim, não adianta contrariar por que pode se considerar um fato por completo. Por outro lado, vem essa pergunta que para o cinéfilo comum passará por alto, mas aquele que percebe e bebe dos detalhes notará e saberá o quanto é difícil não somente perguntar, mas responder com uma propriedade impar para a mesma: O cinema de super-herói é necessário ter identidade própria com o cinema autoral ou é bom deixar nas mãos de produtoras e pronto?

Essa pergunta vem a nota por causa de Batman e Superman em realidade. Soa fantástico por um lado que mesmo reclamando do filme e principalmente dos erros que o filme carrega, qualquer um que reclama do filme sempre vai citar o mesmo: o cinema de Snyder que por muitas vezes pesa e ao invés de transformar uma experiencia cinematográfica, é um exercício de transparecer que está vendo uma adaptação de quadrinhos.

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Quando se analisa um filme da Marvel, sempre vai elogiar a competência da mesma para entregar um tipo de fan-service que aos simples olhos é um deslumbre. Com a conclusão da irregular Fase 1 no qual tiveram vários filmes para transformar o principal projeto em realidade, Os Vingadores. Entretanto se analisam bem ao fundo, quase nenhuma obra que saiu da produtora Marvel Studios não detêm uma via autoral. Explicando melhor: os projetos da Marvel não detêm uma característica de diretor ou algo que o espectador possa dizer: isso é estilo do diretor.

Não se pode negar que em adaptações falhas como Besouro Verde e até mesmo aquelas que dividiram o público como o ultimo filme do Batman de Nolan ou as novas adaptações de Snyder para a DC ainda é possível ver em cada um desses filmes características dos seus próprios realizadores. Claro que existe dentro da própria Marvel a excepção que talvez fique por James Gunn com Guardiões da Galáxia. Os motivos nesse caso são bem simples: quem conhece suas obras anteriores como Super ou Seres Rastejantes, ao menos pode se considerar um sortudo em ver que mesmo dentro da Marvel, ele mostra seu estilo. Tanto que o diretor é literalmente um porta voz da empresa e faz convites de diretores que são contra o estilo para ao menos tentar dirigir algo.

Alguns vão dizer que ao final de tudo, o mais importante é que o filme seja bom. Que o filme ao seu termino cumpra o que prometia em seus trailers que mostram quase pontos chaves da trama. Ao fim de tudo, é um estilo de debate que se sabe que não se limita ir além do texto. Não se vê esse texto como um ponto final de saber qual é a melhor produtora atualmente no cinema, mas sim de criar uma semente para aquele que assiste seu filme a buscar o que todo herói precisa para ser o que é … Uma identidade para se dizer que é própria, que é ele mesmo e não uma sombra de algo que possivelmente não é.


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João Paulo

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