“DUAS RAINHAS”: NOVELÃO DE ÉPOCA CAPRICHADO RETRATA HISTÓRICA RIVALIDADE ENTRE RAINHAS

POR EDUARDO PEPE

A Rainha Elizabeth I já foi retratada diversas vezes pela arte, seja no cinema, na televisão ou no teatro, mas a relação dela com sua prima Mary Stuart, rainha da Escócia, é bem menos retratada e conhecida, porém não menos interessante. A diretora Josie Rourke, consagrada no teatro e estreando no cinema, lida com muita competência com essa oportuna história para os dias atuais. Trata-se de uma caprichada produção que essencialmente é um drama de época, com ocasionais momentos flertes com o tom épico. Convencional, a diretora não foge do estilo “novelão” sobre monarquias, mas realiza tudo com afinco tudo a que se propõe. Para os interessados nos bastidores das realezas europeias ou no retrato de figuras femininas emblemáticas para a história, podem se deliciar acompanhando ao longo dos anos, desde a chegada ao poder de Mary na Escócia, os bastidores das intrigas entre a realeza britânica e a escocesa em meados do século XVI até o inicio do século XVII.

@DISTRIBUIÇÃO UNIVERSAL PICTURES

Os figurinos e o design de produção, natural, são deslumbrantes e foram nomeados ao Oscar, merecidamente, e os outros aspectos técnicos não deixam a desejar também. Claro, que a trilha sonora um tanto dramática pode parecer antiquada, mas o longa não pretende negar seu apresso pela tradição. Essa decisão da direção se mostra harmônica em todos os aspectos do longa.

O roteiro, em seu formato tradicional, chama atenção pelos bons diálogos e por conseguir manter o ritmo pelas mais de duas horas de projeção. Claro, que nem todas as informações históricas, especialmente, a situação social e política dos países em si aparecem com desenvolvimento, afinal, o roteiro se fecha nos conflitos das rainhas, deixando todo o resto de lado. Por outro lado, consegue bons resultados no desenvolvimento de ambas personagens. É um terreno fértil para se denunciar a rivalidade feminina. O embate final entre as personagens, inclusive, é o grande clímax do filme, que impacta até mais que seu apoteótico final. O roteiro se utiliza disso para mostrar como mulheres ao longo da história tiveram rixas estimuladas por interesses dos externos dos mais diversos.

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O elenco é dos mais competentes. Os personagens masculinos, ainda que periféricos, conseguem se destacar, como Jack Lowden, como o ambíguo Lorde Darnley, e Ismael Cruz Córdova, comovente como David Rizzio, o grande amigo e confidente da rainha Mary. A irlandesa Saiorse Ronan dá o sangue para convencer no papel, ainda que de cara não tenha o porte esperado para um papel histórico. Já Margot Robbie parece brilhar sem fazer o mínimo de esforço. Desde seus gestos, postura e sua voz, tudo se encaixa com facilidade no papel. Grandes atrizes, como Bette Davis e Cate Blanchett, já encararam o papel e ela não fica muito atriz com uma aparição que dá um peso cênico a mais ao filme. Indicada ao SAG (Sindicato de Atores de Holywood) e ao BAFTA (o “Oscar” do cinema britânico), não teria sido injusto se a jovem atriz também tivesse sido lembrada pelo Oscar pelo papel.

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