CRÍTICA: VERMELHO RUSSO (2016)

Por Eduardo Pepe

Revisor: André Leporati

‘Sensível e divertida comédia dramática, que acompanha a viagem de duas amigas para a Rússia’

 

Pelo título, pode parecer que o filme trata sobre política ou algo relacionado ao conturbado passado político russo mas, na verdade, não tem nada disso. O longa acompanha duas amigas atrizes um tanto desiludidas com a carreira indo fazer um curso de interpretação na Rússia. A viagem, por sua vez, aflora em ambas crises de auto estima, tanto pela falta de confiança na vida profissional quanto por questões amorosas. Entre passeios culturais, ensaios teatrais, brigas e reflexões, o filme segue as duas, que tentam se descobrir enquanto atrizes e mulheres adultas.

A trama se desenvolve de maneira muito simples; elas ensaiam, paqueram, brigam e tentam fazer as coisas darem certo. A simplicidade da trama em nada atrapalha o filme, que flui de forma encantadora graças à construção sólida e natural das duas protagonistas e do entrosamento entre as duas atrizes. A naturalidade e sintonia das duas com o texto é notável e ver que uma das duas atrizes, Martha Nowill, é uma das roteiristas não surpreende devido à propriedade que ela mostra ter sobre o texto e sua personagem. Essas qualidades certamente ajudaram a trazer o prêmio de Melhor Roteiro para o filme na última edição do Festival do Rio.


Ambas atrizes são a alma do filme; facilmente identificáveis e absolutamente humanas, elas carregam tudo nas costas. Enquanto Maria é mais fechada e calculista, Martha é impulsiva e extrovertida e a diferença das duas é bem marcada pela interpretação das atrizes mas, ao mesmo tempo, o filme não se obriga a fazer um jogo de opostos entre as personagens, tanto que elas são parecidas em alguns aspectos assim como compartilham sonhos e crises semelhantes. Também não há uma mais mocinha que a outra, ambas fazem coisas certas e erradas em iguais proporções. Trata-se, no fim das contas, de um filme sobre mulheres fortes e independentes que estão tentando amadurecer.

O filme, então, se revela bem sucedido ao mostrar uma amizade de forma realista entre duas mulheres, além de fazer um retrato convincente da fase da vida em que mesmo já sendo adulto ainda está se acostumando com as obrigações e as cobranças da maturidade, como, por exemplo, se firmar em uma carreira. Nesse sentido, lembra o recente “Frances Ha”, do americano Noah Baumbach, que trata de tema semelhante também de forma leve e sensível. E assim como a personagem Frances do filme do Baumbach, as personagens Martha e Maria são encantadoramente humanas portanto, falham, fazem coisas erradas, mas sempre na intenção de acertar, porque são pessoas comuns como qualquer uma.


Autor do Texto:

EDUARDO PEPE

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