CRÍTICA: UMA FAMÍLIA DE DOIS (2017)

Por Eduardo Pepe

 

“Feel good movie mais uma vez atesta o carisma e o talento de Omar Sy.”

 

Feel good movie é aquele filme que independente de ser comédia ou drama preza pela leveza e pelo tom familiar. “Uma Família de Dois” é um exemplo perfeito de como é um filme desse estilo. Ele aborda alguns temas tristes e tem seus momentos dramáticos, mas tudo é abordado da forma mais sutil e leve possível.

Na trama, Omar Sy é um homem que vive a vida de forma irresponsável como um adolescente eterno. As coisas mudam quando uma mulher que ele teve um breve caso deixa com ele um bebê, filho que ele nem sabia que tinha. Ela, então, some sem perspectiva de retornar. O filme então vai acompanhar a criação dessa criança, que não sabe que foi abandonada pela mãe.

© Impuls Pictures AG / Paris Filmes

O diretor Hugo Gélin dá o filme uma atmosfera dinâmica, com cortes e cenas rápidas, e bom uso de música e trilha sonora. E o roteiro acerta em cheio na criação dos personagens, todos divertidos e simpáticos. O melhor deles é produtor gay interpretado por Antoine Bertrand. O que poderia ser um personagem banal e estereotipado se mostra como um personagem adorável muito graças ao timming cômico e o talento de injetar naturalidade ao personagem do ator.

Apesar dessas qualidades, o maior mérito do filme é de Omar Sy no papel principal. Desde que virou astro com “Intocáveis”, um grande sucesso internacional, Omar vem se mostrando como um dos atores mais carismáticos da atualidade. Cada sorriso dele contagia o espectador, cada gesto por mais mínimo que seja tem potencial para gerar riso e empatia. É o tipo de talento natural que quando se mostra na tela é contagiante. Ele, num personagem brincalhão e divertido, está num terreno que lhe é habitual. Entretanto, nos momentos mais dramáticos do filme, o ator também convence com uma delicada naturalidade.

© Impuls Pictures AG/ Paris Filmes

Omar é o principal motivo para o filme ser bem-sucedido e tornar os defeitos do longa menores. A trama pode ser pouco criativa, o final pode apelar um pouco para o melodrama e o desenvolvimento do conflito central nem ser tão bem resolvido, mas com um ator tão carismático em cena e bons coadjuvantes esses problemas se tornam detalhes.

 

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AUTOR DO TEXTO:

EDUARDO PEPE

 

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