CRÍTICA: UM INSTANTE DE AMOR (2017)

Por Eduardo Pepe

 

“Filme romântico é menos envolvente do que poderia, mas mostra competência ao relembrar estética clássica.”

A atriz Nicole Garcia há tempos virou uma respeitada diretora e “Um Instante de Amor” já é seu oitavo longa-metragem. Em sua nova empreitada, ela conta com dois pesos do cinema francês, a grande atriz Marion Cotillard e o galã Louis Garrel para protagonizar essa história de amor baseada no livro “From The Land of the Moon”, de Milena Agus. O filme basicamente retoma a tradição dos melodramas clássicos com uma protagonista atormentada por não conseguir ficar com o homem a qual se apaixonou.

O filme se passa na década 40 e gira em torno de Gabrielle (Marion Cotillard), uma mulher que se apaixona por um homem que a rejeita. Ela não consegue lidar com a rejeição e começa a apresentar certos distúrbios psicológicos, inclusive, entrando em depressão. Para conter os excessos de loucura dela, a família tenta lhe obriga a casa com um homem que ela não ama.     

© Frenetic Films / Mares Filmes

O longa se desenvolve como nos moldes tradicionais seguindo a conturbada heroína ao longo de alguns anos de sua vida sempre envolta de muito drama, sofrimento e relações complicadas. A abordagem tanto da direção quanto do roteiro é tradicional remetendo, de fato, aos romances e dramas clássicos.

O que impede do filme se destacar dos habituais do gênero é a falta de empatia com os personagens. Por mais que a personagem de Marion sofra e a atriz se entregue ao papel, a sensação de que não conseguimos entender plenamente as motivações da personagem não muda muito durante a projeção. Além do mais, a maioria dos personagens carece de carisma, o que impede maior envolvimento emocional.

© Frenetic Films/ Mares Filmes

Apesar disso, não dá para negar algumas coisas, como o talento de Marion Cotillard, que, mais uma vez, dá uma camada muito humana e vulnerável a sua personagem e segura o filme. Todos os outros atores são bons também, em especial, Alex Brendemühl, que interpreta o marido da personagem de Marion. Ele tem uma presença forte no filme e dá delicadeza a um personagem que poderia facilmente ser rejeitado à princípio pelo espectador por ser um dos principais empecilhos do casal central ficar junto. Vale destacar também a direção segura de Nicole Garcia, que cria alguns planos lindos valorizados por uma belíssima fotografia.

Nesse sentido, “Um Instante de Amor” é aquele projeto que aparentemente tinha todos os ingredientes para ser um grande filme; ótimos atores, um material sólido de base, uma boa história e parte técnica impecável, mas nem tudo sai como poderia porque o longa, por vezes, soa mais distante e frio do que deveria. Por outro lado, as qualidades do elenco e da direção aparecem e se fazem notar tornando a experiência válida, principalmente, para os fãs dos romances clássicos e, claro, os apreciadores do trabalho de Marion Cotillard.

 

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AUTOR DO TEXTO:

EDUARDO PEPE

 

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