CRÍTICA: UM HOMEM CHAMADO OVE (2017)

Por Rafael Yagami

Ove é um senhor mal-humorado de 59 anos que leva uma vida totalmente amargurada. Aposentado, ele se divide entre sua rotina monótona e as visitas que faz ao túmulo de sua falecida esposa. Mas, quando ele finalmente se entregou às tendências suicidas e desistiu de viver, novos vizinhos se mudam para a casa da frente, e uma amizade inesperada irá surgir.

O sueco Hannes Holm entrega aqui uma parábola sobre segundas chances, felicidades e se encontrar nos outros. Mesmo fugindo um pouco da realidade é um trabalho muito agradável e otimista, a direção criativa usa lacunas de morte para falar sobre o passado de Ove tudo numa edição sagaz e inteligente. O ritmo também é agradável ao ponto do publico não sentir o tempo passar. Um drama com o pé na comedia convence em sua forma e ainda entrega tomadas belíssimas usando ao máximo a beleza natural e a beleza na interação humana.

Roteiro também escrito pelo diretor é muito convincente na sua proposta, pode-se argumentar que é um tema já trabalhado em diversos filmes, mas o interessante aqui é se notar os clichês que o filme foge e todo um panorama novo apresentado. Amargura e perda na terceira idade, mostra que sempre tem algo para se fazer no mundo, que a morte mesmo que seja convidativa para quem perdeu tudo, não é sinônimo de libertação. Os personagens são bem desenvolvidos, o filme ainda trabalha a deficiência física, homossexualismo e a imigração, tudo muito sutil e nada expositivo.

No elenco temos Rolf Lassgård no papel de Ove, ator ranzinza e extremamente carismático, impossível não gostar de seu personagem, expressivo e diz muito com um olhar. Com um sorriso lindo e amoroso Bahar Pars tem a personagem mais legal do filme, é uma delicia seu compaixão e amor ao próximo. Ida Engvoll é o grande amor de Ove e conforme o filme vai nos mostrando o nascimento dessa paixão, nós vamos se apaixonando também, desempenho cativante. Filip Berg interpreta o Ove jovem, e igualmente competente, ator com muito potencial.

En Man Som Heter Ove no original foi um grande sucesso comercial e está indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Os filmes não precisam ser obrigatoriamente originais, precisam ser honestos na sua proposta, aqui temos isso, uma grande direção, roteiro e um elenco cheio de energia que com certeza irá te contagiar.


RAFAEL YAGAMI

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