CRÍTICA: TONI ERDMANN (2017)

Por Rafael Yagami

Winfried é um senhor que gosta de levar a vida com bom humor, fazendo brincadeiras que proporcionem o riso nas pessoas. Seu jeito extrovertido fez com que se afastasse de sua filha, Ines, sempre sisuda e extremamente dedicada ao trabalho. Percebendo o afastameto, Winfried decide visitar a filha na cidade em que ela mora, Budapeste. A iniciativa não dá certo, resultando em vários enfrentamentos entre pai e filha, o que faz com que ele volte para casa. Tempos depois, Winfried ressurge na vida de Ines sob o alter-ego de Toni Erdmann, especialista em contar mentiras bem-intencionadas a todos que ela conhece.

A diretora alemã Maren Ade entrega um dos filmes mais estranho dos últimos anos, com bastante simbolismo e metáforas e nenhum senso de ritmo. Um filme de quase três horas deve ter algo para manter o publico focado, porém aqui temos longos momentos onde nada acontece, cenas pouco cortadas e passagens de ambientes lenta demais, a diretora não tem nenhum senso de limite. A trama demora a se apresentar, leva muito tempo para apresentar seus personagens e logo o foco é mudado e o publico fica perdido mais uma vez e sem vontade nenhuma para continuar até o final.

O roteiro é assinado pela diretora e tem seu texto central muito interessante e até inovador, o problema é que o material não tem forças para se sustentar por tanto tempo, claro que era preciso tempo para se estabelecer o universo, mas o resultado final entregue é muito exagerado. O relacionamento do pai e filha fragilizado é muito bem feito e as soluções dramáticas são convincentes, desde as mais absurdas e mais simples, um texto diferente do que assistimos atualmente.

Peter Simonischek o personagem titulo e também o pai em busca de redenção entrega um desempenho respeitável dizendo muito e fazendo pouco, uma interpretação leve e carismática. Sandra Hüller é a melhor coisa da produção, uma personagem estranha e uma mulher forte, cheia de loucuras e decisões estranhas a personagem se sobressai de todo o elenco feminino.

Toni Erdmann no original, foi o filme mais popular em Cannes e mesmo assim não levou nenhum premio, segue forte como candidato da Alemanha no Oscar e com grandes chances de levar a estatueta. O filme foi editado de mais de 120 horas de gravação, demorou tanto tempo que a diretora deu a luz a seu filho no período de edição, com um roteiro interessante e sarcástico e um elenco afinado, a produção decepciona muito na sua duração e ritmo dramático, um filme difícil de assistir e não agradara a muitos.


RAFAEL YAGAMI

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