CRÍTICA: SULLY – O HERÓI DO RIO HUDSON (2016)

Por João Paulo Rodrigues da Silva

Em seu filme anterior, Sniper Americano, Clint Eastwood tenta fazer algo bem interessante que é a desconstrução de Chris Kyle, o atirador mais mortal dos Estados Unidos durante as invasões no Oriente Médio. Ele tentou traduzir na tela a dificuldade mental e as inseguranças de Kyle até sua morte. Claro que essa visão deu errada, tanto que após o filme, muitos americanos viam o mesmo atirador como um heroi nacional. Ao ponto de reclamar do ator Bradley Cooper por tomar uma posição politica contrária aos fãs do filme. Já em seu novo projeto, Sully, existe algo diferente nele mas que detém a mesma base do filme anterior: questionar e criar um clímax sobre o papel do heroísmo nos dias atuais.

Sully toma partida sobre o capitão Sullenberg e os eventos que aconteceram em 15 de janeiro de 2009, onde um acidente com pássaros atingiram as turbinas do avião Airways Flight 1549 e sem saida, o capitão consegue uma milagrosa aterrissagem no rio Hudson e nenhuma pessoa morreu nessa queda. O filme toma partida sobre os inquéritos e as duvidas que os investigadores sobre o ato de Sully e a queda poderia ter sido evitada.

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Sully é considerado o filme mais curto da carreira de Eastwood com menos de 100 minutos e por incrível que pareça é a primeira colaboração entre Hanks e o diretor. Além disso, assim como qualquer boa biografia ou encanamento de um fato real, o próprio Sully estava nas filmagens explicando sobre o tema para a equipe. E se torna elogiável por parte da Warner Bros do Brasil em não exibir o filme durante esses dias após uma das maiores tragédias aéreas da América Latina que aconteceu semana passada que incluiu a equipe técnica da Chapecoense.

 O roteiro escrito por Todd Komarnichi consegue ao menos colocar o debate entre o fator humano da tragédia e os protocolos de aviação feitos pelo Estado. Além disso, durante uma boa parte da trama, mesmo com o personagem com suas convicções, é um flerte para que todos seus atos sejam colocados no lixo. O que é genial, coisa que no filme de Eastwood não conseguiu fazer: o trabalho da dualidade. Apesar da solução bem simples e até sem estripulias, o roteiro trabalhou também um ponto básico: os diferentes pontos de vista do mesmo acidente.

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Tom Hanks sempre será um ator que faz a diferença em uma cena simples, tomem como exemplo os minutos finais de Capitão Philips, mas infelizmente ele não está aquela atuação que tenta apontar premiações.  Apesar de um brilhante momento no final do filme, o ator está longe de merecer uma indicação e mais ainda, esse ano ele vai passar batido por muitos concorrentes que realmente estão acima dele.
Por ultimo, a direção de Eastwood é bem diferente daquela vista no filme anterior. Enquanto Sniper Americano parecia uma propaganda militar com uma edição que queria agradar aqueles que jogam jogos militares como Call of Duty ou Battlefield, Sully é um trabalho mais contido. Um trabalho enxuto tanto em tempo, conteúdo e principalmente como ele coloca isso em pratica. Todas as cenas que envolvem o avião caindo no rio ou em outro lugar são sensacionais e bem tensas.

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Acredita-se que o tempo curto, atuações diretas e um debate justo e claro sobre heroísmo fazem que Sully um filme adequado para assistir nessas épocas de premiações. Mesmo sabendo que vai chegar longe pelos nomes que estão por trás, o filme fica somente na palavra ok desde seu inicio até seu final bem singelo com os sobreviventes do incidente. Claro que para um evento biográfico ficou acima da média, mas que poderia ir além, claro que sim. Agora o como seria um outro tema.


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