CRÍTICA: SOUNDTRACK (2017)

Por Alysson Melo

 

“É um longa altamente doloroso, tenso, e inquietante e que vai mexer com a sua sensibilidade”

 

No mundo cinematográfico muito vem se crescendo o número de filmes que envolvem temáticas de crescimento , realização profissional e pessoal com os Na natureza selvagem, O Cisne Negro, 27 Horas e Livre cujo personagens enfrentam desafios de vida por uma causa ainda maior: sua própria realização e ter o reconhecimento e ser creditado por isso. Esse assunto é um tema muito importante e atual nos dias de hoje visto que quem hoje em dia não quer ter o reconhecimento pelo seu trabalho e pelos seus feitos? Todo profissional visa buscar qualidades e novas maneiras de mostrar sua arte e seus projetos e o mais importante é conseguir a realização de ser reconhecido pelo trabalho duro que vem efetuando e muitas pessoas buscam essa conquista de inúmeras formas e talvez de saídas muito arriscadas e perigosas. Aqui em“Soundtrack” podemos ver uma situação semelhante e pertinente dessa temática que tem como base aprofundar a mente humana e o seu psicológico e de como a vida é feita de escolhas.

A história do longa mostra a vida de Cris(Selton Melo), um artista multimídia que entra em crise de identidade quando passa uma temporada em uma isolada estação de pesquisa internacional polar para se isolar e tirar selfies que capturem as sensações causadas por uma série de músicas pré-selecionadas. Ele vai para lá com o objetivo de criar uma mostra audiovisual, mesclando fotografias de paisagens desoladas e música. Sua intenção é que, quando a mostra for aberta ao público, cada pessoa coloque um fone de ouvido e escute as músicas que e ele ouvia no momento em que fez as fotografias expostas. Daí o título Soundtrack, nesse meio tempo Cris tenta se enturmar com os outros trabahadores: O botânico brasileiro Cao (Seu Jorge), o especialista britânico em aquecimento global Mark (Ralph Ineson), o biólogo chinês Huang (Thomas Chaanhing) e o pesquisador dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran). Eles tem de aprender a conviverem juntos e descobrir novas diretrizes sobre a vida e arte.

@Divulgação Imagem Filmes

A direção fica a cargo da dupla 300 ml que faz sua estréia em longas metragens . O coletivo 300 ml, equipe responsável pelo curta-metragem Tarantino’s Mind (2006), que há onze anos, colocou Selton e Seu Jorge comentando sobre a obra do realizador de Pulp Fiction (1994). Eles conseguiram trazer uma boa atmosfera claustrofóbica e de realismo das locações, Os cineastas mostram que após cinco anos desenvolvendo esse projeto, fizeram por acontecer numa condução precisa, forte e sensível de tratar as relações humanas e o lado psicológico, assim dando um ótimo trabalho na direção, tanto dos atores, quanto visual que é um dos pontos altos do longa.

Após terem trabalhado com a dupla do coletivo, Selton e Jorge repetem parceria e atuam juntos. Selton vive o protagonista e seu personagem é um cara solitário, carente e com semblantes tristes, Ele consegue mostrar em cena todo o seu trabalho de entrega como ator, vemos a solidão o quão ele enfrenta, seu lado psicológico e com as perdas que já teve e mostra de forma bem plausível e realista, fazendo um bom trabalho na condução de seu papel do inicio ao fim. Seu parceiro de cena temos o Ralph Inesonator inglês conhecido aqui como o protagonista do filme de terror A Bruxa, um sucesso a nível mundial de bilheteria e crítica. Ineson traz uma verdade em cena, tornando-o bem caracterizado, graças ao talento do ator, seu personagem é um cara sério, que não é de puxar conversa e uma pessoa difícil de se lidar ainda mais quando se trata de conversar com estranhos. Outro destaque vai para o ator e cantor brasileiro Seu Jorge, aqui podemos ver um trabalho mais sério dele, um papel determinante e com destaque na história, apesar de ter várias pitadas de humor que são originados por ele, consegue desenvolver uma boa condução dentro das perspectivas esperadas.

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O roteiro também é roteirizado por 300 ml que contou com a produção de Selton Melo e Seu Jorge. A narrativa ela vai se mostrando aos poucos, de forma que vamos descobrindo o que se passa durante o filme e a qual caminho ele nos levará. Toda competência em desenvolver uma situação muito comum e atual de muitos trabalhadores que vivem nessas condições no pólo ártico. O tema persistente aqui está justamente em focar o lado psicológico e doloroso de pessoas que buscam realizações pessoais e o quão longe irão chegar para atingirem o seu objetivo. O enredo mostra a vida desses cinco personagens que tem em comum entre si a capacidade de criar e desenvolver projetos, cada um com sua importância e da melhor forma possível. A continuidade do que se passa na história vai levando-os a caminhos inesperados os quais não estavam preparados e caminha para um desfecho de libertação e autoimagem visceral de como a vida só pode vir a ficar melhor quando se tem o reconhecimento por aquilo que tanto lutou para trazer a tona.

A trilha sonora é um fator muito importante e teve a sua trilha criada exclusivamente para o longa a cargo dos diretores 300 ml e também com a participação de Seu Jorge. Eles montaram uma trilha que dialoga bastante com as situações presentes na narrativa, tão qual como se fosse sendo um próprio personagem dentro do filme. desde o inicio somos apresentados a um som com tons mais graves e fortes nas cenas externas e nas cenas internas tons mais emblemáticos e atemporais entrelaçando e refletindo nas coisas e sensações que a atmosfera do enredo quer passar. Em cada momento na história a música é importante e suas ações conduzem de maneira incrível ao tema principal de “Soundtrack”.

“Soundtrack” é um filme muito bom que possui vários temas como busca da realização profissional, identidade e apelo psicológico, amizade, perdas e traumas, solidão, carência, ser reconhecido e levar crédito por algo que tenha realizado e relação da música como cenário da vida.  É um longa altamente doloroso, eficaz, tenso, e inquietante e que vai mexer com a sua sensibilidade mesmo após o fim te fará ficar pensando nele e vários questionamentos e debates que a história trará ”

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AUTOR DO TEXTO:

ALYSSON MELO

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