CRÍTICA: RUA CLOVERFIELD 10 (2016)

Por Tom C.P.

Em 2007, o trailer de um filme misterioso deixou os espectadores, que tinham ido ver Transformers (2007), intrigados e empolgados. No vídeo, um grupo de pessoas estava em uma festa e de repente explosões começam a acontecer, eles correm para rua e algo é arremessado perto deles, a câmera foca e nota-se que o que caíra do céu tinha sido a cabeça da estátua da liberdade. Após a sessão, as pessoas foram para casa curiosas e buscaram mais informações sobre o filme na internet. O longa em questão foi Cloverfield: Monstro (2008). A grande sacada dos estúdios na época, foi a forma de divulgação da fita. Antes do lançamento do trailer, ninguém tinha qualquer ideia da existência do filme. Cada vídeo lançado gerava teorias e discussões por toda a internet e isso elevava, a cada dia antes da estreia, a ansiedade dos espectadores. Cloverfield: Monstro foi bem recebido pela crítica e pelo público, levantando rumores de que uma sequência estaria à caminho desde seu lançamento.

Após 9 anos, eis que um trailer surpreende a todos e Rua Cloverfield, 10 é anunciado depois de também ser rodado em completo sigilo. Nem mesmo os atores sabiam em que filme estavam se metendo na época das filmagens. Apesar da semelhança, o novo filme não é uma sequência do longa de 2008, mas ambos acontecem em um mesmo universo. O diferencial aqui, é que o roteiro recebeu mais atenção. As explosões e cenas eletrizantes de outrora cedem espaço para um thriller psicológico e agonizante, atestando algo que já vimos em muitas obras, que o maior monstro é sempre o ser humano.

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Michelle (vivida pela excelente Mary Elizabeth Winstead) sofre um acidente de carro e é resgatada por Howard (John Goodman), que a abriga em seu bunker alegando que o mundo sofrera um ataque químico e não era mais habitável. Emmett (John Gallagher Jr.) é outra alma que Howard salva e passa a conviver junto com os outros dois. Desde o início, Michelle desconfia da veracidade dos fatos contados pelo dono do abrigo. O clima entre eles é sempre de desconfiança e gera cenas de carga psicológica de tirar o fôlego. Aos poucos, o mistério do lado de fora passa a ser secundário diante do mistério que surge dentro do próprio bunker.

O longa se difere do anterior justamente por ser mais lento, focar mais nos personagens e no roteiro ao invés da ação e do horror. A não ser pelo aterrorizante desfecho, que se assemelha muito a Cloverfield: Mosntro. As atuações de Winstead e de Goodman são espetaculares e fazem o diferencial aqui. Certeira a escolha de elenco! A trilha sonora por hora misteriosa, ressabiada ou escandalosa também é um ponto positivo aqui.

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Quem busca algo nos moldes da fita de 2008, talvez o longa decepcione. Contudo, como suspense psicológico, Rua Cloverfield, 10 é uma grata surpresa e sem dúvida um dos melhores projetos até esse ponto do ano.


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Nota: 9.5/10

Tom C.P.

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