O SACRIFÍCIO DO CERVO SAGRADO (2017): “FAZ O ESPECTADOR ENTRAR EM ESTADO DE TENSÃO CONSTANTEMENTE”

Por Eduardo Tavares

 

O filme começa mostrando Colin Farrell no papel de Steve, um médico exemplar, realizando uma cirurgia de coração. A maneira como o personagem se expressa, logo na cena seguinte a inicial, e no decorrer do filme, já nos causa um grande impacto. Os diálogos são rápidos, de maneira que torna difícil acompanhar as falas.

Os personagens parecem mais andróides, e não seres humanos. Essa é uma característica da construção dos personagens do diretor grego, Yórgos Lánthimos, que ficou conhecido pelo filme “o lagosta” de 2015, igualmente fora do comum.

Desumanizar os personagens, que aparentemente vivem uma vida perfeita é uma forma de crítica. O relacionamento de Steve com a esposa, interpretada pela atriz Nicole Kidman, envolve essa frieza e robotização de ações, onde não há quase nenhum sentimento envolvido. Isso fica ainda mais perceptível nas cenas de sexo, frias, que há quase nenhuma interação. O casal tem dois filhos: Kim (Raffey Cassidy) e Bob (Sunny Suljic).

@O Sacrifício do cervo Sagrado 2017/ Divulgação Diamond Filmes

Steve possui uma relação curiosa com um adolescente chamado Martin (Barry Keoghan). O pai dele morreu na mesa de operação, quando era operado por Steve. Ao decorrer do filme, vemos Steve o presenteando e agradando, até que decide apresentá-lo à sua família. Esse primeiro ato revela-se um pouco monótono e parece servir de apresentação das personagens, mas a partir de uma revelação que Martin faz, o roteiro dá uma virada surpreendente que deixa o espectador cada vez mais impactado.

O suspense acaba envolvendo paranormalidade e ciência. E seu grande ponto positivo é o roteiro inteligente, que traz o elemento da surpresa ao desenvolver a história fugindo de alternativas óbvias. O nível de tensão cresce exponencialmente fazendo o espectador entrar em estado de tensão constantemente, a medida que Martin elabora e põe em prática seu plano de vingança.

As atuações são muito boas. O destaque fica para a dobradinha que se repete depois do filme “O Estranho que Amamos”, Nicole e Colin, que protagonizam como casal. Outra surpresa é a presença da atriz Alicia Silverstone, famosa pelo icônico clássico dos anos noventa: As patricinhas de Beverly Hills. Ela interpreta a mãe de Martin e,  assim como o garoto, está muito bem.

O filme estréia essa quinta dia 8 de fevereiro, depois de ter recebido muitos elogios da crítica e público nos Estados Unidos.

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