CRÍTICA: QUASE 18 (2017)

Por Eduardo Pepe

Filme teen independente traz performance estelar de sua protagonista e um gostinho agridoce que lembra clássicos do gênero

A jovem atriz Hailee Steinfeld surgiu ao mundo com apenas 13 anos no remake do faroeste “Bravura Indômita” lançado em 2010 e indicado a 10 Oscar, incluindo uma indicação para a própria Hailee. Depois do sucesso do filme, ela seguiu na carreira alternando blockbusters (Enders Game: O Jogo do Exterminador, 2 Dias Para Matar, A Escolha Perfeita 2) e projetos independentes (Amores Inversos, Mesmo Se Nada Der Certo) e seguia assim com uma carreira equilibrada e bem sucedida, mas faltava um papel de destaque o suficiente que confirma-se o talento apresentado em sua estreia. E o papel é esse; o da jovem Nadine, uma adolescente de 17 anos que vive dilemas normais da adolescência; briga muito com a mãe, se interessa por um garoto que nem sabe direito de sua existência e vive em rivalidade com o irmão mais velho. Seus problemas explodem quando sua melhor amiga se envolve com o seu irmão piorando suas crises.

Um dos trunfos do filme é não ir pelos caminhos típicos que se iria num filme desse estilo e, sim, se desenvolver buscando autencidade a partir de sua protagonista a desvendando e extraindo momentos tristes, momentos cômicos ou mesmo embaraçosos, ou seja, tudo o que um adolescente comum tem direito. E o mais bacana é o roteiro não estereotipar ninguém ao não buscar vilões. A personagem da mãe, por exemplo, é instável e pouco se relaciona como a filha, mas nem por isso ela se torna uma desvariada completa. Ela erra tentando acertar e, acima de tudo, tentando se comunicar com a filha. O mesmo vale para o irmão da protagonista que podia ser resumir apenas a fazer o tipo “popular e egoísta”, mas vai se mostrando, aos poucos, de maneira mais humanizada. Vale destacar também o personagem de Woody Harrelson, que interpreta o professor. Até mesmo ele, dotado de um humor irônico e corrosivo similar ao da protagonista, se revela mais do que parece com o decorrer do filme.

Apesar dos bons coadjuvantes, não dá para negar que o filme é mesmo de Hailee Steinfeld, que aos 20 anos se mostra em plena forma como atriz. Ela se adequa completamente a personagem, tanto nos momentos cômicos quanto dramáticos e reagindo sempre com expressividade sem nunca soar apelativa. É um belo momento da atriz, que não atoa chegou a ser indicada a alguns prêmios, como, por exemplo, o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical.

Em alguns momentos, o filme pode ser acusado de ser um tanto quanto previsível, como, por exemplo, em relação ao desenrolar da trama com o menino que a personagem tem uma queda desde o início do filme. Mas isso, na verdade, pouco importa, porque temos aqui um filme de personagem, em que se acompanha os acontecimentos da trama mais interessado em entender e descobrir mais sobre aquela personagem do que pela história em si. Além do mais, o filme funciona para os nostálgicos que apreciam os filmes adolescentes dos anos 80 e 90, em especial, alguns dos filmes dirigidos por John Hughes, como “Gatinhas e Gatões” e “Clube dos Cinco”. Ele tem uma áurea agridoce e mais humanizada que é pouco comum nos filmes do gênero atualmente. Sem dúvidas, trata-se de um acerto da diretora Kelly Fremon Craig, que se mostra surpreendentemente segura em seu primeiro trabalho na direção de longa-metragem, e da jovem atriz que se continuarem acertando devem ter um belo caminho pela frente.


Eduardo Pepe

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