CRÍTICA: PASSAGEIROS (2017)

Por Rafael Yagami

1estrelaDurante uma viagem de rotina no espaço, dois passageiros são despertados 90 anos antes do tempo programado, por causa de um mal funcionamento de suas cabines. Sozinhos, Jim e Aurora começam a estreitar o seu relacionamento. Entretanto, a paz é ameaçada quando eles descobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes de salvar os mais de cinco mil colegas em sono profundo.

A direção fica a cargo do norueguês Morten Tyldum, dentre seu maior sucesso atual temos o drama “O Jogo da Imitação” o mesmo que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar de melhor diretor, então quando anunciado que comandaria seu primeiro grande “blockbuster” americano a expectativa era alta, que infelizmente não é correspondida. A direção erra o tom do filme, não sabendo para onde levar o peso dramático que fica estacionado em apenas uma vertente, fica muito nítido o sentimento de “já vi isso antes”, 80% do filme apenas centralizado em uma coisa, não abrindo espaço para subtramas e logo no final o diretor tenta fazer o publico engolir uma reviravolta patética. No visual o filme não é nada de extraordinário ou inventivo, tirando uma cena envolvendo a gravidade, no geral essa produção genérica tem elementos que rementem a filmes como: Lunar, Prometheus e Naufrago.

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Jon Spaihts assina o roteiro e provavelmente o atestado de óbito do filme, dentre seu trabalho anterior temos o excelente “Doutor Estranho” com um texto conciso e muito fechadinho, e agora temos um texto mal escrito, preguiçoso e ofensivo. A trama realmente é aquela apresentada no trailer, o texto não apresenta aprofundamentos dramáticos e nem subtramas pra sustentar 110 minutos de projeção. Sem falar na grande cereja do bolo, acho que muitos não esperavam que a trama levaria para um lugar não nojento e repugnante, não vou citar porque seria spoiler, mas o que o filme tenta enfiar goela abaixo do publico é repugnante por assim dizer, algo que “Esquadrão Suicida” fez, que as pessoas prestem a atenção e enxerguem o que está de errado aqui e não se deixe ser enganado por esse roteiro escroto.

No elenco temos a grande Jennifer Lawrence, rainha teen e Oscarizada, tudo com menos de 30 anos, aqui a atriz apresenta um desempenho interessante, mas não efeito de sua personagem e sim porque a atriz emana energia própria, seu carisma sempre fala mais alto, não importa o quão à personagem seja ruim. Chris Pratt outro queridinho do momento e rei do carisma, seu personagem é mais perigoso que uma cobra e trabalha nas sombras, não se engane por um rostinho bonito ou suas muitas cenas mostrando seus dotes musculosos, de novo um personagem péssimo sustentando pelos esforços próprios do ator. Ainda temos participações insignificantes de Michael Sheen, Laurence Fishburne e Andy Garcia, nenhum com bons personagens e espaço para trabalhar.

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Passengers no original, já pode ser considerado uma das bombas de 2017, com um desempenho até aceitável nas bilheterias, porém longe do esperado, tendo em vista 110 milhões de dólares de orçamento e dois atores que estão em alta, tudo isso envolto numa direção sem foco e roteiro bárbaro de tão ruim, acredito que ninguém esperava isso deste projeto, fica clara a sensação de oportunidade perdida, tudo podia ter sido diferente com pequenos ajustes no roteiro, mas infelizmente o material entregue aqui é patético.


RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI

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