CRÍTICA: OS POBRES DIABOS (2017)

Por Alysson Melo

 

“Trata-se de um projeto audacioso que tinha muitas histórias que poderiam trazer um bom filme, mas os termos usados aqui, deixaram-o muito mediano e regular”

Atualmente vivemos um bom momento no cinema nacional ao qual vem se saindo diversas obras aos quais estão se sobressaindo as comédias brasileiras. Tivemos ótimos longas no ano passado como “Aquarius” e “Mate -me por Favor” entre outros. E aqui vemos mais uma obra chegar para tentar mostrar ao que veio, e apesar de todos os seus esforços e percalços “Os Pobres Diabos” é um filme regular que tinha tudo para vir a ser um bom filme, mas infelizmente derrapa em alguns segmentos e que fazem com que o filme não seja bom, apenas ok e mediano.

A história conta sobre uma turma que faz viagens do Gran Circo Teatro Americano pelo sertão nordestino. Na cidade de Aracati-CE, é montada uma peça sobre a crise no inferno. A trama rocambolesca, inspirada na literatura de cordel, mostra a chegada do bandido Lamparina no inferno, e a participação de Lúcifer no capitalismo internacional. Nos bastidores, amores e tragédias movimentam a vida da trupe.Cidadezinhas do sertão recebem a visita do Gran Circo Americano. A trupe monta a atração de forma improvisada e com material velho. O público só da gatos pingados e alguns dos membros do circo se revoltam pelo fato de não serem mais prestigiados e bem-remunerados com antes.

@Divulgação Lume Filmes

A direção fica a cargo de Rosemberg Cariry onde seu último projeto foi o documentário: “Palativa do Assaré- Ave Poesia (2007), o diretor trouxe uma boa condução ao dirigir seus personagens, de forma despretensiosa e humorada e consegue mostrar uma direção firme, ousada e segura. Rosemberg que entrou de cabeça nesse projeto que além de dirigir também escreveu o roteiro, infelizmente sua direção se sobressaiu mais do que o próprio roteiro que é um pouco forçado e fraco, sua combinação não fluiu bem e isso ficou bem claro ao assistirmos ao filme.

No elenco de protagonistas temos o ator Chico Diaz que faz o papel de Lazarino o ator ele é um dos alívios cômicos do filme, ele construiu um bom personagem, bem caracterizado e bem divertido, ele é um dos palhaços do circo e suas piadas são leves e sutis mas o seu lado mulherengo e safado é mostrado na história e isso rende boas cenas, apesar de alguns clichês. Em seguida temos a atriz Silvia Buarque no papel de Creuza, a esposa infiel que se apresenta no circo como cantora e dançarina, e que vive cedendo ao charme de Lazarino. A atriz ela tá bem nas cenas e é muito personagem envolta de muito mistério. Seu companheiro de cena temos o ator  Gero Camilo como Zeferino é um personagem muito caricato e mal caracterizado o ator ele é talentoso, e talvez o roteiro não tenha ajudado, ele faz o que pode em suas cenas, mas o resultado é muito previsível, aqui ele faz o papel do corno da história e que além de ser muito ciumento não consegue descobrir as traições da esposa. Outro destaque temos a atriz Zezita Matos que interpreta a Zezivalda ela tem um personagem bastante forte e que faz de tudo para o circo decolar até a fazer coisas erradas em pró de manter o negócio. A atriz esta bem a vontade no personagem e monta uma boa atuação dentro dos padrões esperados.

@Divulgação Lume Filmes

O roteiro que também foi comandado pelo Rosemberg aqui ele criou uma atmosfera que muito lembra filmes de época no estilo sertão e faroeste, o longa que foi filmado na cidade de Aracati-CE possui elementos interessantes que pudessem render uma boa história para o público, mas o roteiro é raso e previsível. O cineasta não convence e não traz nada de novo. Com o roteiro inspirado na peça “Auto de Lampião no Além”, a ideia de mostrar um circo decadente e todas as situações desse fato são até válidas, o problema está na construção do enredo onde mostra-se bem ineficaz e as vezes dá a impressão que o filme está andando em círculos e não sai do lugar comum, a história não avança e possui diálogos um pouco sofríveis e não sabemos se estamos vendo um filme de comédia ou drama. Aqui se tem um misto dos dois gêneros mas o que se sobressaiu mais foi a comédia que em muitos momentos tira o sorriso do público mas não de forma espontânea, mas um pouco forçada em alguns momentos. O seu desfecho não possui um final bem concluido e ficam muitas coisas em aberto o que pode gerar um certo desconforto para que for assistir.

“Os Pobres Diabos” é um projeto audacioso que tinha muitas histórias que podiam ser muito boas e eficientes, mas os termos usados aqui, deixaram o filme muito mediano e regular, tinha um grande potencial para se tornar um bom filme se tivesse explorado melhor o campo dramático na narrativa e não ter focado em ambos terrenos. Ainda assim é um filme que pode se assistido mas tendo se em mente de se tratar de um longa que tinha os elementos, mas não conseguiu chegar ao seu objetivo, igual a algumas cenas do filme onde o show não está bom, mas precisa continuar, é basicamente o que acontece aqui, o longa tem que continuar, mesmo sendo regular.

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AUTOR DO TEXTO:

ALYSSON MELO

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