CRÍTICA: O SEQUESTRO (2017)

Ainda que eficiente, suspense estrelado por Halle Berry nasceu para a matinê de algum canal de televisão

 

 

 

Existem os blockbusters, que são os filmes dos maiores estúdios que gastam fortunas em marketing e divulgação feitos para o grande público. Assim como tem também os filmes ditos cults, que são obras em que diretores tem mais liberdade em sua abordagem e não tem necessariamente a obrigação de se fazer um filme comercial. Entre esses dois, existe o “filme B”, que é aquele para um público médio feito com um orçamento não tão grande, mas com a pretensão de ser uma obra amplamente acessível, sem grandes mudanças em relação a linguagem tradicional do cinema.

O filme que se enquadra nesse grupo costuma passar despercebido, porque acaba não atingindo nem a massa nem sendo motivo de culto. Entretanto, pode ter vida posterior nas intermináveis reprises de exibição em algum canal de televisão. Esse parece o destino ideal de “O Sequestro”, que não tem absolutamente nada de diferente dos filmes de sequestro que saem todos os anos de holywood com resultados dos mais variados. A própria protagonista, Halle Berry, já fez filmes desse nipe, como o recente “Chamada de Emergência” (2013).

A verdade é que Halle nunca conseguiu se recuperar totalmente do fracasso que foi “Mulher Gato” (2004), um dos maiores fracassos de bilheteria e crítica da história do cinema moderno. Um ano antes ela fazia história ao ser a primeira mulher negra a vencer o Oscar de Melhor Atriz por seu desempenho magnífico em “A Última Ceia” (2003). Ou seja, o velho do luxo ao lixo. E, por isso, Halle Berry tenta se manter firme da forma que consegue e uma delas é estrelando esse tipo de filme. Esse aqui ela é, inclusive, produtora.

Entretanto, vale ressaltar que não há nada de catastrófico aqui. Sim, o roteiro tem muitas coincidências, a personagem de Berry se revela uma motorista digna de Fórmula 1, a polícia é incrivelmente inútil na maior parte do tempo e os bandidos acabam desperdiçando todas as boas chances de matar a mocinha. Mas esses furos não atrapalham o andamento do filme, que tem um ritmo veloz, um suspense bem equilibrado e uma performance bastante esforçada de Berry, que faz tudo que uma mocinha de atitude tem direito de fazer.

Você provavelmente não vai lembrar dele na semana seguinte, mas será uma experiência divertida se você o ver sem nenhuma pretensão. Para valer a ida ao cinema, rende pouco o esforço de se deslocar para uma sala de cinema e pagar um ingresso de preço salgado como é o comum no Brasil, mas quando tiver em cartaz em algum canal da sua televisão pode ser uma opção válida para uma descomprometida tarde de domingo.

 

Eduardo Pepe

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