CRÍTICA: O REINO DA BELEZA (2017)

Por Cadu Costa

 

“Um filme inexpressivo com personagens inexpressivos e uma história que não é lá grandes coisas”
Após dirigir ‘O Declínio do Império Americano'(1986), ‘As Invasões Bárbaras’ (2003), vencedor do Oscar 2004, e ‘A Era da Inocência’ (2007), o cineasta franco-canadense Denys Arcand lançou em 2014, ‘O REINO DA BELEZA‘. A história, que estreia no Brasil somente agora, é um drama conjugal que parece buscar satirizar o fascismo da beleza, sob o qual vivemos diariamente.
‘O Reino da Beleza’ conta a história de Luc, arquiteto novo-rico canadense-francês que tem um caso com uma também canadense de Toronto. Casado com uma professora de educação física com síndrome do pânico e tendências suicidas, o arquiteto desfila roupas de grifes, carros de marca, pratica esportes elitistas, ou bebe vinhos caros na sua incrível casa de campo com seus amigos todos muito parecidos com ele, incluído um casal de lésbicas, uma delas interpretada por Marie-Josée Croze, atriz que venceu Cannes por sua atuação no já citado ‘As Invasões Bárbaras’, o maior sucesso comercial de Arcand. Luc, durante uma premiação, reencontra Lindsay com quem viveu um relacionamento extraconjugal e todo o filme se desenrola nesse grande flashback.
@FÊNIX FILMES
Mas, vamos ao que importa: ‘O Reino da Beleza’ é ruim. Muito ruim. Confunde elegância com frieza distanciadora. Há beleza, por sinal muita, nos enquadramentos de Arcand e no seu olhar clínico ao que é belo e que reflete o de seu próprio protagonista. No melhor momento da narrativa, Arcand nos brinda com um close nos olhos luxuriosos de Lindsay, que também mordisca o lábio sensualmente, antes de refletir com ar preocupado sobre seu relacionamento. Mas instantes como este são raros em um drama carente de emoção.
Todos os personagens são imbecis narcisistas com conversas forçadas que falam coisas do tipo: “o patrimônio mundial está sendo destruído pelo turismo”; “cidades, como Veneza, desvastadas pelos turistas, mais parecem o Ikea (a loja sueca popular de móveis) em dia de promoção”; “japoneses, chineses e americanos deveriam ser proibidos de saírem de seus países para viajar”, além de uma série de outros esnobismos de classe que deveriam soar engraçados, mas não conseguem. Ou então apenas esnobes como os personagens conseguem alcançar esse nível de humor doentio. Confesso que as (poucas) risadas ouvidas no ambiente onde estava soavam tão ofensivas pra mim que achei ser meu o problema. Quando filma o sexo, Arcand o fez de maneira tão fria e protocolar que mais parece uma sessão de massagem, cheio de rituais impessoais, em que a atração física parece ter sido trocada por uma certa forma de exibicionismo. Não sei se faziam sexo ou se posavam para uma câmera.
@FÊNIX FILMES
Pra mim, este é um filme inexpressivo, com personagens inexpressivos. Não me encantou, não me tocou. Um filme frio, como o inverno, como as linhas da arquitetura dos prédios. Ah, mas a fotografia…e daí? Não sei se vale perder 101 minutos do seu tempo pra ver isso. Fizessem um documentário sobre arquitetura e natureza canadenses, ao invés desta ficção.
Ah, mas e se a arquitetura fosse o reino da beleza de Arcand? Então temos o conceito um tanto diferente de suas obras mais antigas, que o tornaram aquele premiado cineasta. Sobre o que pensou o diretor e o visto na tela pode haver uma enorme distância e aqui a história que ele conta não é lá grande coisa mesmo.
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AUTOR DO TEXTO:
CADU COSTA
Lapa – 21 97945-0704

 

 

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