crítica: O Regresso (2016)

Por Rafael Yagami

 

1822, Hugo Glass (Leonardo DiCaprio) parte para uma expedição pelas florestas gelada dos Estados Unidos, com uma companhia caçadora de peles, em determinado momento é gravemente ferido e deixado para trás para morrer, com muita força de vontade e algumas ajudinhas, faz de tudo para sobreviver e conseguir a tão sonhada vingança contra quem o traiu e matou seu filho. A trama que é baseada em fatos reais, faz de tudo em seus 156 minutos de projeção para prender sua atenção e consegue de forma magistral.
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O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, atual vencedor do Oscar de Melhor filme e direção por “Birdman” faz seu ultimo trabalho parecer muito simples em escala, o nível de grandiosidade que o diretor empregou no filme é inacreditável, tudo é grande e belo, tudo faz o espectador ficar impressionado desde a sua primeira cena até a ultima, o seu grande orçamento de 135 milhões de dólares é muito bem distribuído e usado em prol do filme, com o mínimo possível de artificialidade, estamos diante aqui de um filme a nível de “Titanic”. Roteiro é assinado pelo diretor junto com o colaborador Mark L. Smith, baseado na obra original de Michael Punke, é conduzido e destrinchado de forma explicativa no começo e depois contemplativa, é um fato que a trama não é a coisa mais original do mundo, porém chega a ser assutado para o espectador compreender que se trata de uma trama real.

Leonardo DiCaprio dá vida ao protagonista sofredor, de forma magistral e emocionante, uma atuação com poucos diálogos, incrível como o ator transmite dificuldades e humanidade com o olhar, um dos olhares mais penetrantes da história do cinema, merece ser reconhecido no Oscar e em todos os outros prêmios, mesmo depois de ter sido esnobado por outros papeis memoráveis. Tom Hardy é o vilão da vez, depois de ser o herói em “Mad Max – Estrada da Fúria”, aqui é o demônio na vida do Leo, com um sotaque pesadíssimo nos presenteia com sua melhor atuação até agora, cheia de inveja, preconceito e ódio. Destaque também para Domhnall Gleeson faz aqui o papel do líder da equipe, se mostra convincente e dono de uma autoridade fortíssima e por fim Will Poulter é o perfeito retrato da indecisão e medo.

Na parte técnica temos mais elogios, e acredite, não são exagerados, com 12 indicações ao Oscar, a parte técnica se mostra afinadíssima, bela direção de arte, figurino, maquiagem, som e trilha sonora. Os efeitos especiais se mostram aqui usados em prol do filme em uma das cenas que vai entrar para a história, o ataque do urso, é inacreditável o tom de realidade, o publico se sente desesperado com a realidade, choca e deixa sua marca. Fechando com chave de ouro temos o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, ganhador de dois Oscar em sequência pela fotografia de “Gravidade” e “Birdman” se encontra aqui indicado pela terceira vez e já é a aposta certa para a estatueta, seu trabalho em O Regresso é memorável pelo uso da luz natural deixando a atmosfera do filme mais realista possível e presenteando o público com um show visual de primeiro nível.

 

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The Revenant no original, é o filme mais grandioso do ano, com uma direção perfeita, elenco irretocável e uma trama realista são o casamento perfeito de beleza e emoção, impossível não sentir nada nesse filme, com certeza algo ficará na sua memória, sua beleza ou talvez a atuação memorável de um dos atores mais queridos de Hollywood. No fim ainda temos uma tocante mensagem sobre vingança, serve como estimulo, porém nunca será um alivio.
RAFAEL SOUZA DOMINGOS
RAFAEL YAGAMI

 

Nota: 10/10

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