CRÍTICA: O QUE ESTÁ POR VIR (2017)

Por Rafael Yagami

4estrelasNathalie é professora de filosofia, tem dois filhos que pouco vê e um marido também docente, seu companheiro há 25 anos. Entre trocas de ideias com o pupilo anarquista, ligações insistentes da mãe solitária e piquetes de alunos, ela leva uma vida tranquila. Mas tudo está para mudar.

Mia Hansen-Løve comanda a produção com sutileza e calma, entrega um trabalho muito refletivo e contemplativo.  Temos vários tipos de takes e os cortes são suaves e quase imperceptíveis ao publico, o trabalho de explorar a beleza natural e pequenos momentos humanos também é extraordinário. Sua visão feminina explora muito mais que apenas sua personagem principal, tudo aqui é delicado e lindo de se ver.

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O roteiro que foi escrito pela própria diretora também merece elogios, além de ser uma trama que a primeira vista pode ser considerada nada de novidade, também temos grande estudo de personagem, todos os personagens são bem desenvolvidos e com cargas emocionais fortes, porém todos os olhos se voltam para a personagem principal, com maior espaço em tela a personagem é o fio que liga suas muitas subtramas e em nenhum momento fica monótono, única ressalva a se fazer queria que tal grandeza ofusca  quase todos os personagens.

Isabelle Huppert a grande atriz francesa do momento, busca em 2017 sua primeira indicação ao Oscar pelo filme “Elle” com grandes chances de conseguir tal feito e aqui entrega igualmente um trabalho muito competente, é quase impossível tirar os olhos de sua personagem que emana calma e clareza para o publico. Edith Scob é outra que está excelente em cena, como uma mulher doente e atormentada, um desempenho muito convincente. André Marcon tem duas cenas ótimas e Roman Kolinka mesmo meio escondido consegue ter ótimos momentos às vezes.

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L’Avenir no original, é um filme de atriz, a câmera segue e ama sua personagem principal, isso é algo para a felicidade do publico ainda mais quando se tem um trabalho de atuação excelente. Poderia ter 10 minutos a menos de produção e um ajuste aqui e ali, mas num contexto geral é um drama convivente e poético, para quem gosta de tal gênero aqui temos um prato cheio.


RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI

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