Crítica: O Quarto de Jack (2016)

Por Rafael Yagami

 

Não, não é apenas mais um filme sobre sequestro, prepare-se para se surpreender, a trama segue o dia a dia de uma mulher e seu filho que estão sendo mantidos em cativeiro em um barraco por um homem misterioso, mesmo nessa situação a mãe faz de tudo para criar seu filho da melhor forma, transformando o barraco em apenas o único mundo que Jack conhece.

O diretor Lenny Abrahamson assina a direção, de origem irlandesa é conhecido pelo filme “Frank” estrelado por Michael Fassbender, em O Quarto do Jack, o diretor trabalha com 3 polos: o cativeiro, a fuga e o trauma, todos os 3 atos em perfeita sincronia fruto de um grande roteiro e edição, é interessante notar o tom que o diretor escolheu para a trama, quando o espectador pensa que já viu isso em outro lugar o filme muda de rumo, em alguns momentos é sombrio e outros tenso, o público se sente a todo momento chocado com essa situação onde a mãe faz de tudo para transformar seu inferno em céu para o filho, tudo de uma forma bonita e singela, coisas simples como um bolo de aniversário ou a forma como o menino trata todos os moveis como amigos é algo que o publico sente direto no coração, impossível não sentir algo nesse filme.
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Baseado no mega sucesso de vendas, Room no original é adaptado para as telonas pela própria autora Emma Donoghue, é notável o maravilhoso trabalho de adaptação, deixando todos os fatos da trama claros e sem nenhum clichê, afirmado pela própria autora como uma obra de ficção, fica claro as criticas sociais e a mensagem que o roteiro deseja passar, mesmo fruto de uma tragédia o menino salva a mãe de todas as formas possíveis, a força da mãe vem totalmente do filho e sua salvação também. O terceiro ato é a mudança de tom, mostrando o real trauma de uma pessoa e suas dificuldades, desde a convivência com a família depois de 7 anos longe até o preconceito do pai, também é trabalhado a descoberta de um mundo novo pelo menino no começo algo estranho e depois algo tentador.
No elenco temos um espetáculo de atuações, começando pela maravilhosa Brie Larson que nos presenteia com uma das atuações mais realistas dos últimos anos cheia de camadas, dores e dúvidas, muito bem feito também é o trabalho físico da atriz sem nenhum tipo de maquiagem e também precisou engordar vários quilos para viver a protagonista, atualmente se encontra indicada ao Oscar de melhor atriz e é a aposta certa para a estatueta depois de ter ganhado todos os prêmios está apenas a dias de levar seu primeiro Oscar. A segunda estrela do filme é um jovem ator mirim chamado Jacob Tremblay, em uma atuação que engana o público e parece que ele está realmente vivendo nessa realidade o que por si só é assustador, rouba completamente o filme desde sua primeira cena até o ato final, injustamente deixado de lado no Oscar de melhor ator, fruto de preconceito por ser jovem, poderia ter ganhado facilmente em cima do Leonardo DiCaprio.
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Indicado para 4 Oscars 2016 nas categorias de melhor atriz, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e o grande melhor filme, O Quarto do Jack ultrapassa as barreiras de um filme qualquer, todos que tem um coração vão sentir algo ou refletir, se mostra um dos melhores filmes do ano e um dos mais fortes na temporada de premiação.
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RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI
Nota: 10/10

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