CRÍTICA: O MENINO E O MUNDO (2016)

Por Maurício Junio

 

“O Menino e o Mundo é uma animação séria disfarçada com cores”

Já parou para pensar em como uma criança vê o mundo? Certamente ela deve ficar parada, observando os adultos tomando sérias atitudes e, em alguns casos, mudando suas vidas drasticamente. O Menino e o Mundo brinca com isso, a relação de uma criança com tudo que está acontecendo ao seu redor, e o resultado é muito melhor do que o esperado, dando uma sensação de felicidade e orgulho de ter uma animação brasileira representando o Brasil no Oscar e mostrando que podemos fazer muito mais que comédias chatas.

A trama do filme começa no campo, onde Cuca vive com seu pai e com sua mãe. Diante da falta de mão-de-obra, ele parte para a cidade em busca de uma vida melhor para sua esposa e ao seu filho, mas nunca mais volta. Confiante em encontrar o pai e descobrir o mundo em que ele vive, Cuca acaba se deparando com uma sociedade cheia de pobreza, militarismo e tristeza.

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É triste ver o sucesso que o filme fez no exterior e aqui no Brasil ser um trabalho desconhecido. Em seus poucos dias em cartaz, o filme levou um pouco mais de 3000 pessoas aos cinemas, mostrando que nem sempre o melhor está nos grandes sucessos. O filme pode não ter chamado atenção do público brasileiro, mas levou para casa 70 prêmios em todo o mundo, inclusive o Annie Awards, o Oscar da animação, na categoria de Melhor Animação Independente.

O trabalho da animação é simples, clara e modesta. O filme é cheio de cores e isso serve para separar muito bem os momentos de felicidade e de tristeza na trama, já que quando o militarismo ou a tristeza são expostas na tela, a fotografia do filme fica escura, as cores são mais nubladas e tudo fica mais sério. O roteiro do filme é todo escrito de trás para frente, dando a sensação de que você é uma criança que não entende nada do mundo.

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Entretanto, a direção do filme escorrega na tentativa de mostrar o inimaginável. É claro que é uma animação excelente, mas perde alguns pontos em seus momentos intermediários, quando o longa fica um pouco cansativo. Nada que atrapalhe o filme, mas acaba destruindo um ritmo muito bom que estava desde o início. O filme volta a empolgar quando Emicida entra com sua música de trás para a frente no filme, elevando a emoção e o carisma.

Pode não parecer, mas O Menino e o Mundo é uma animação séria e pesada. Em alguns momentos, o militarismo é forte no filme, mostrando uma sociedade triste, controlada e que não tem nenhuma liberdade. Você sente a distância entre o menino e o mundo quando comparamos a sua vida no campo com a vida na cidade, e isso é muito triste.

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O poder que O Menino e o Mundo exala em seus 80 minutos é maior do que qualquer outra animação de 2015. É claro que Divertidamente emocionou muito, e Anomalisa é extremamente interessante, mas por ser uma animação brasileira, o filme acaba tendo uma conexão maior com seu público alvo. É impossível chegar no final sem lágrimas nos olhos, e isso é uma grata surpresa.


Maurício Junio
MAURÍCIO JUNIO

 

Nota: 9/10

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