Crítica: O Lobo do Deserto (2016)

Por Rafael Yagami

Em 1916, Theeb vive com sua tribo beduína no povoado de Wadi Rum, situado no Império Otomano. Hussein, irmão mais velho de Theeb, após a morte de seus pais, tenta ensiná-lo a viver como beduíno, mas o jovem Theeb está mais interessado nas brincadeiras de infância do que no aprendizado da vida adulta. Theeb e Hussein têm o curso de suas vidas interrompidas pela chegada de um oficial do Exército Britânico e seu guia, que pedem o auxílio dos garotos em uma missão misteriosa, cujo destino é um poço artesiano na tradicional rota de peregrinação para Meca.
Em seu primeiro trabalho na direção Naji Abu Nowar assume o longa de forma limpa e visual, é uma produção um tanto curiosa, uma parceria entre vários países, porém sua origem é da Jordânia. Merece destaque o ótimo jogo de câmera e a forma que a trama é conduzida, um passo de cada vez, tudo aos olhos de uma criança que vive nesse mundo hostil, sua curiosidade e dúvida são muito bem trabalhadas, fruto de um grande roteiro também escrito pelo diretor, no roteiro ele se prova um excelente contador de história, pois além da trama a primeira vista ser desinteressaste e complicada entretanto o público se sente totalmente ligado ao filme do inicio ao fim.
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Depois do roteiro a estrela do filme é o deserto, uma belíssima locação que exala através da tela o calor e a dificuldade que se tem a todos que o cruzam, uma grande locação e principalmente uma bela fotográfica, muito viva e extremamente calorosa. Na parte técnica temos destaque também para a maquiagem e figurino, a trilha sonora também se mostra muito competente.
No elenco temos algumas curiosidades, os dois protagonistas não são atores profissionais, eles vivem perto do local onde foi feita as filmagens, o diretor vendo o potencial de ambos ofereceu treinamento apropriado e no fim isso deu muito certo, sendo moradores da região ficou ainda mais realista e humano, destaque extremo para Jacir Eid (Theeb) mostra muito potencial com um olhar raivoso e grande presença dramática, que seja o primeiro de muitos papeis futuramente.
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Theeb no original, que significa literalmente lobo, palavra que na tribo beduína significa masculinidade, se mostra uma excelente pedida para quem gosta de cinema na sua forma mais primitiva, humano e cheio de momentos memoráveis, hoje se encontra indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, super justa a indicação, não é o mais forte na disputa, porém merece o reconhecimento que vem recebendo.

RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI
 Nota: 9/10

 

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