CRÍTICA: O DIÁRIO DE UM BANANA (2010)

Por Cadu Costa

 

Greg Heffley é tipo de adolescente que prefere passar as férias de verão em frente à TV, jogando videogame com as cortinas fechadas e a luz apagada. Desde que entrou no sexto ano, ele tem tentado ser mais cuidadoso com sua imagem – substituiu, por exemplo, o verbo brincar por “dar um tempo”, para não parecer muito crianção na frente das meninas e dos mais velhos. À parte alguns percalços no relacionamento com os pais e os irmãos, que ele considera estranhos, ele ainda têm que lidar com obstáculos na escola: as meninas, os valentões, o bullying e os professores chatos.
Greg é o personagem do “Diário de um banana”, série criada pelo norte-americano Jeff Kinney, de 46 anos, que virou febre entre crianças e adolescentes no mundo inteiro. Escritos em forma de diário – ou melhor, “livros de memórias”, como deixa claro o personagem –, com linhas que imitam um caderno de anotações e ilustrações cômicas, os livros já venderam mais de 75 milhões de cópias desde o lançamento nos Estados Unidos em abril de 2007 – só no Brasil foram vendidas mais 5 milhões de exemplares. O autor já disse se tratar de parte de sua própria experiência com as agruras da vida pré-adolescente.
@DIVULGAÇÃO FOX FILM
Em 2010, o livro virou filme. O diretor alemão Thor Freudenthal fez um longa de relativo sucesso no início desta década. O problema é que a tendência desta década é ser idiota. Numa época onde adolescentes preferem ser youtubers em detrimento de outras carreiras, ‘Diário de um banana’ tem a difícil missão de tentar abrir o antigo caminho de filmes infanto-juvenis de qualidade acima da média. E falha miseravelmente. O personagem principal (interpretado por Zachary Gordon) era realmente desagradável. Não dá a menor vontade passar algum tempo com ele quanto mais ser amigo.
Não sei se são os clichês americanos ou apenas a estupidez daquela cultura mas tudo é tão imbecil que tenho medo de meus filhos assistirem isso. Não é engraçado, não é inteligente, não é sequer divertido. Temos a sensação de passarmos uma hora e meia assistindo um episódio de Teletubbies turbinado por uma dúzia de personagens vindos de uma retardada Hannah Montana ou outra porcaria similar. Chega a ser escatológico em alguns momentos. Mas, parece ter feito sucesso. O que não diz muita coisa, afinal, é um filme para crianças, mas daqueles que um adulto não consegue assistir. Só para fazer uma comparação (pra não dizer uma surra) a série de TV Everybody Hates Chris, que aborda o mesmo tema, dá de mil a zero no filme.
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O elenco de suporte é fraco, muito fraco. Contudo devo destacar a presença da Chloe Moretz, que com suas pequenas participações consegue dar um ‘up’ no filme toda vez em que aparece em cena. O curioso é que no livro seu personagem não existe e de longe no filme é o melhor. Infelizmente um erro desta jovem talentosa atriz. Fora ela, todos os personagens são extremamente caricatos, e o roteiro não tem nenhuma virada e temos a impressão que Greg não aprende nada com a suas inúteis tentativas de se transformar no garoto mais popular da escola. A tal história do toque do queijo, e seu desfecho, é a coisa mais imbecil, e chega a dar raiva de ver.
E o pior, teve sequências. Mas, isso é uma outra (e infeliz) história.
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AUTOR DO TEXTO:
CADU COSTA
Lapa – 21 97945-0704

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