CRÍTICA: O DÉCIMO HOMEM (2016)

Por João Paulo

O Décimo Homem, novo filme de Daniel Burman chega aos cinemas brasileiro com uma proposta interessante. Ao parecer, se olha como uma dramédia default do cinema argentino. Porém em realidade consegue ser curiosamente melhor do que isso. A história do filme conta a trajetória de Ariel, um judaico argentino de sucesso no exterior, volta para a Argentina para que o pai Usher conheça sua namorada. Entretanto alguns detalhes saíram mal e ele só vem sozinho e curiosamente assumir pouco a pouco o papel do pai na comunidade judaica do bairro Once de Buenos Aires.

Burman volta ao que se pode se dizer um cinema de autoconhecimento. A jornada de Ariel no filme é bem interessante já que a cada dia que segue os passos do pai em ser o líder da comunidade ou de resolver os pepinos da comunidade, ele conhece muito de si mesmo e do por que ele se afastou desse universo e da ausência do seu pai em muitos momentos dessa vida. O que também tem de sedutor nesse filme é que a figura do pai é sempre onipresente, mas com a ferramenta mais divertida possível: chamadas de celular.

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O ponto mais forte da trama em realidade por um lado é fazer o que muitos filmes sobre temática religiosa falham miseravelmente: Não transformar a religião no filme como um meio massivo de panfletagem religiosa como acontece na maioria das vezes nos filmes de Alex Kendrick, Kirk Cameron e a bizarra saga Deus Não Está Morto. O diretor transforma a cultura judaica como uma ferramenta para que o personagem encontre a si mesmo. Em muitas cenas que envolvem costumes da religião são em realidade um artificio efetivo de ajudar o personagem a encontrar a si mesmo.

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Ao lado de maravilhosas interpretações de Julieta Zylberberg (Relatos Selvagens) e Alan Sabbagh, O Decimo Homem ganha uma força tremenda por seguir do inicio até o fim um cinema fresco, simples e acima de tudo muito simpático. Se parece um típico filme de voltar as raízes, mas quando suas raízes são fortes e a habilidade de contar a todos é tão única quanto o talento de filmar, estamos diante de mais um lindo trabalho de Daniel Burman.


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Nota: 8/10

João Paulo

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