CRÍTICA: O CIRCULO (2017)

Por Alysson Melo

 

“O Circulo” é um filme muito bom que nos faz ficar pensando nele após o final, porque ele fala de tudo o que vivemos e estamos experimentando na vida atual na era tecnologica”

 

 

Atualmente tudo se envolve a tecnologia e a estar conectado, seja pela internet para se aproximar dos amigos, familiares e de pessoas as quais você gosta e ama ou seja por telefone com mensagens de texto e ligações,  assim como as chamadas de vídeo que aproxima tantas pessoas as quais vivem distantes uma das outras. O Mundo atual está repleto de sentir-se que tudo esta conectado e as redes sociais ajudaram muito a criar esse tipo de conexão, seja pela maior rede social do mundo: o facebook, o aplicativo para fotos: instagram que se consolidou como a melhor rede social para a postagem de fotos , snapchat: onde se mostra um pouco da sua vida por 24 horas aos amigos e seus seguidores e o youtube: que existem inúmeros canais interessantes dos mais variados temas, e os youtubers que de uns anos para cá vem crescido a cada dia e se consolidando como uma nova ferramenta para mostrar seu talento e seus projetos. Mas será que vale a pena toda essa exposição? será que mostrar-se tanto assim sua intimidade e seu dia-a-dia vai ter um preço? As pessoas que mesmo não se expondo acabarão sendo exibidas nas redes por terceiros? É disso que o novo longa do diretor James Ponsoldt aborda.

© Impuls Pictures AG / Imagem Filmes

A história fala sobre a vida da jovem Mae Holland (Emma Watson) que trabalha como voluntária em uma empresa como atendente, mas a mesma almeja muito um emprego de verdade. É quando sua amiga Annie (Karen Gillan) decide ajuda-la indicando Mae a uma entrevista de emprego na empresa The Circle que é uma das empresas mais poderosas do planeta. Atuando no ramo da Internet, é responsável por conectar os e-mails dos usuários com suas atividades diárias, suas compras e outros detalhes de suas vidas privadas. Ao ser contratada, Mae Holland (Emma Watson) fica muito empolgada com possibilidade de estar perto das pessoas mais poderosas do mundo, mas logo ela percebe que seu papel lá dentro é muito diferente do que imaginava.

© Impuls Pictures AG / Imagem Filmes

A direção fica a cargo de James Ponsoldt, conhecido por seus trabalhos em “Smashed- de volta a realidade” (2012) e “Maravilhoso Agora” (2013). O diretor que estava afastado das telonas desde 2015 em seu ultimo filme “O Fim da Turnê” agora está de volta nos cinemas apresentando mais uma história dramática e dessa vez como também como roteirista. Ele consegue trazer para a tela toda a situação atual que se encontra o mundo e fazer uma boa adaptação do livro “The Circle” do autor Dave Eggers. Sua direção se mostra suave, sensível e por vezes contida, mas consegue chamar nossa atenção nas horas certas e em ficarmos interessados em sua narrativa até o desfecho. Assim como seus projetos anteriores Ponsoldt se mostra bem realista e usa da sua experiência em fazer de seus personagens protagonistas os mais próximos da realidade e captar suas feições e atitudes de maneira bem marcantes e que os tornam mais expressivos possível.

No elenco temos a Emma Watson vivendo a protagonista, diferentemente dos seus outros filmes – aqui ela se mostra uma personagem que vai crescendo aos poucos em cena, ela começa o longa bem contida, sensível e suave e no decorrer do enredo ela vai se mostrando uma personagem determinada, corajosa e destemida e suas feições em cena mostram o quão boa ela está nesse papel, com o seu jeito de olhar, de agir e de trazer uma personagem forte e ao mesmo tempo frágil e que esta bem próxima da realidade –  faz com que tenha sido um bom acerto dos produtores ao traze-la para estrelar o filme. Na parte coadjuvante temos a atriz Karen Gillan que interpreta a Annie, ela é uma personagem que vemos o seu melhor lado e o seu pior lado. A atriz deu conta muito bem de suas cenas e trouxe uma boa bagagem emocional nos fazendo torcer por ela. Seu parceiro de cena temos o ator Tom Hanks que interpreta o criador da empresa o Circulo e o ator apesar de ter pouco tempo em tela se mostra muito bem, tem uma boa química e interação com a Emma e que agradara não só por fãs do ator como o público no geral. Outros destaques temos o saudoso Bill Paxton, o ator que faleceu em fevereiro desse ano, aqui ele entrega o seu último filme e seu personagem é o pai da protagonista e possui uma doença de esclerose. Paxton entrega uma boa atuação bem forte e delicada, apesar de aparecer pouco em cena. Atuando também temos o ator Ellar Coltrane, conhecido por seu papel em “Boyhood” que vive o personagem Mercer e entrega uma atuação ok sem muitas surpresas, mas que tem uma grande importância na história. E por ultimo não menos importante temos o queridinho do momento o ator John Boyega da Fraquia “Star Wars Episodio VII- O Despertar da Força”, o ator faz pequenas aparições nas quase duas horas de projeção mas que possui uma peça chave dentro do enredo que fará tudo dar uma reviravolta.

© Impuls Pictures AG / Imagem Filmes

O roteiro escrito pelo James, consegue mostrar o mundo atual em que vivemos que é a exposição e privacidade nas redes sociais, a ideia do filme é mostrar que é bom estar o tempo todo conectado e que isso facilitara a vida das pessoas seja em encontrar um parente ou amigo que foi perdido ou até mesmo um criminoso. Com o grande avanço tecnológico de tudo poder estar sendo vigiado por todos no mundo por um simples aparelho ou dispositivo por vezes pode soar que seria uma verdadeira prisão no mundo virtual, mas que com certos ajustes essa ideia de se sentir-se vigiado pode ser sem muito vantajoso como em varias situações no longa que mostram isso. Mas a pergunta que logo os expectadores se fazem será que vale a pena se sentir-se exposto mesmo não querendo aos olhos da mídia. Esse é um dos questionamentos levantados dentro da narrativa e que nem sempre mostrar sua intimidade será algo bom e que trará boas consequências para sua vida. Além de fazer varias alusões a de como o futuro digital pode vir a ser, o enredo nos apresenta a um mundo o qual estar todos assistindo sua vida é algo normal seria algo como estar dentro de um reality show onde pelas câmeras você é vigiado 24 horas por dia, a diferença é que na história é na vida real, todos interligadas através de uma organização que une forças para que todos sejam usuários dessa ferramenta que é mostrar quem você é para o mundo e mostrar o que se vê e nesse ponto é um dos acertos do longa porque na vida real existem muitas pessoas egoístas que não querem mostrar o que já viram ou vivenciaram e isso é um exclusão ao qual na vida real muitas pessoas passam por isso.

© Impuls Pictures AG / Imagem Filmes

“O Circulo” é um filme muito bom que nos faz ficar pensando nele após o final, porque ele fala de tudo o que vivemos e estamos experimentando na vida atual com o apoio das redes sociais onde tudo pode ser mostrado, por vezes atrás de ser reconhecido pelo que você faz de bom e para a humanidade ou por querer curtidas e novos seguidores. O longa possui vários temas como encarar novos desafios, vivenciar seus medos, experimentar novas possibilidades, o mundo tecnológico e de como ele afeta o mundo e a todos, adquirir uma liderança e mostrar bem o seu trabalho, ser você mesma sempre, e de como ser vigiado e estar conectado com todos pelo mundo pode ter o seu lado bom e ruim. É um filme que trará muitos questionamentos e debates e esse é a maravilha de poder assistir filmes com temas como esse, porque mesmo após os créditos ele ainda fica na sua cabeça e te faz pensar que tudo isso já é uma realidade a qual vivemos e que embarcarmos ou não nesse avanço digital só depende de nós.

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AUTOR DO TEXTO:

ALYSSON MELO

 

10 comentários em “CRÍTICA: O CIRCULO (2017)

  • 25/06/2017 em 18:39
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    Adorei a crítica, Alysson! Você conseguiu passar até o que eu pensei e não consegui parar para a tela, rs. Perfeita. Está de parabéns.

  • 24/06/2017 em 01:38
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    Oi, Alysson. Achei a crítica super pertinente. Pela temática e reflexão que o filme apresenta, é o motivo pelo qual ele merece ser visto.
    Beijos

  • 22/06/2017 em 16:28
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    Adorei a crítica, só em ver a crítica me deixou curioso pois é estranho saber que estamos sendo vigiado 24hs por dia, e em tudo que fazemos e postamos nas redes estamos sendo supervisionado, certamente provoca indagações. Gostei muito da crítica e quero muito ver esse filme.

  • 21/06/2017 em 23:40
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    Gostei muito Alysson! Crítica muito bem escrita, com os pontos bem explicitados! Realmente é um filme que retrata muito a nossa realidade.

  • 21/06/2017 em 23:35
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    Bacana, feliz por Watson, atriz q simoatizo. Tirando o sucesso de A Bela e a Fera, ela N vem tendo mts acertos ultimamente.

  • 21/06/2017 em 22:48
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    adorei a critica

  • 21/06/2017 em 22:47
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    Adorei a crítica, vou procurar assisti-lo no fds.

  • 21/06/2017 em 22:30
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    Muito bom, fiquei mais ansioso pra ver

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