Crítica: O Bom Dinossauro (2016)

Por João Paulo Rodrigues

 

A Pixar no ano de 2015 pode significar para muitos a volta de fazer ótimos filmes. Muitos fanáticos que agora se tornaram uma fan-base forte baseado na necessidade de qualidade nos seus projetos e também da “necessidade” de chorar assim comprovando que a Pixar é especialista nisso. Óbvio que muitos conseguiram essa conexão impressionante com “Divertida Mente”, filme de Pete Docter ao lado da premissa da questão de sentimentos também conseguem carregar sentimentos. Muitos conseguiram ter essa conexão, entretanto o filme falha em desenvolver isso, além de que muitos dos momentos do filme, as emoções não sao bem trabalhadas como se deveria e ainda se pode abrir porta para questionamentos como a ditadura da alegria para esconder falhas ou o protecionismo contra outros sentimentos. Pois nem, o que surpreende de verdade é ver dois filmes da Pixar em um mesmo ano. E o projeto, passa longe da falsa complexidade que carrega Inside Out e trabalha em um conceito básico e simples: Conectividade de personagens.

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O Bom Dinossauro, o décimo sétimo da empresa, estreou nos cinemas americanos em novembro e chegará em breve nos cinemas brasileiros. A premissa do filme é simples e direta. O filme se passa em uma terra alternativa no qual os dinossauros não foram extintos. Em um possível futuro, uma família de dinossauros que vive pacificamente porém o jovem Arlo, o mais frágil da família se perde e ele junta forças com um garoto humano chamado Spot e os dois tentarão voltar a casa antes que o inverno castigue a região. Apesar de uma ideia inicial bem genérica, o que se pode ter em conta é de como aqui a Pixar muda o tom. Alguns críticos americanos chamaram do filme mais “infantil” da Pixar, o que se leva deduzir que consegue superar (?) Carros. Em realidade, se passa longe dessa má interpretação do tema.

O filme da Pixar em nenhum momento leva o espectador a crer que os personagens do filme são infantis. Em realidade cada um sabe da sua funcionalidade e mais ainda, conseguem transformar Arlo em um dos melhores personagens da galeria da Pixar por motivos simples: Complexidade. Praticamente o filme é uma jornada simples de um garoto que quer voltar a casa junto com seu “animal de estimação”. Mas também é um filme de auto-conhecimento e de superação. Chaves que funcionam mais em um filme Disney e não Pixar. Entretanto, se sabe que não se pode subestimar a qualidade de contar uma historia emocionante como a Pixar e talvez, por contar uma historia tremendamente simples, com inicio-meio-fim, o modo como é cuidado as emoções e de como é executado, é tremendamente emocionante.

Se torna um pouco complicado acreditar que esse filme é um dos primeiros fracassos de bilheteria para a produtora. Além de também de ser um dos filmes que tem uma nota “inferior” a Inside Out, com 77% no Rotten Tomatoes que por nota de curiosidade, é o único dos indicados ao Globo de Ouro de Melhor Animação que não passou dos 80% de aprovação no site. Talvez esse tom mais inocente pode ter prejudicado essa nota. Muitos vão ver um filme da Pixar esperando não somente cenas que te fazem chorar mas também temas complexos. Mas aqui só detém um tom, o da pureza.

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O Bom Dinossauro é sem duvida, o filme mais honesto da Pixar. Mesmo com uma história bem simples, ela é comunicativa e que envolve o espectador. Não adianta comentar sobre a parte técnica da mesma já que a cada filme, a riqueza de detalhes continua assombrar e nos fazendo perguntar: Quando é real e quando é computador. Apesar de estrear em dias ingratos, consegue ser um dos melhores filmes do ano não por que é Pixar ou Disney, mas sim por focar muito algo que a própria empresa estava devendo: A conexão simples entre seus personagens e os olhos admirados de crianças ao projeto.

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JOÃO PAULO

 

Nota: 9/10

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