Crítica: O Ano Mais Violento (2014)

Por Rafael Curcio

 

Nova York. Ano de 1981. Abel Morales (Oscar Isaacs), ao lado de sua esposa Anna ( Jéssica Chainstain), dirige uma promissora companhia de distribuição de combustíveis, no entanto, seu êxito vem sendo frustrado pelos constantes roubos de suas cargas, obviamente empregados pela sua concorrência, e pelo promotor (David Oyelowo) que inoportunamente revira seu histórico atrás de uma possível condenação. Problemas que geram para si consequências desastrosas, como a perda de credibilidade perante ao banco, que o concederia um empréstimo milionário, necessário para a quitação de um investimento. A partir daí, vemos Abel lidar com diferentes situações simultâneas que exigem medidas que o levaram a questionar seus próprios princípios.

J.C. Chandor, que assinou a direção e roteiro, nos apresenta um filme diferente do esperado sobre a máfia, a começar pelo título, que faz referência ao fato de 1981 ter sido, estatisticamente, o ano com o maior índice de crimes em Nova York. E não uma sugestão de violência a ser explorada na tela (isso não quer dizer que o filme, ao seu modo, não seja brutal). Além disso, o diretor aborda a vida criminosa de forma sutil. A dúvida permanecia quase todo o enredo a respeito da moralidade do protagonista. Será ele honesto, como afirma, ou o oposto, como a trama cada vez mais indica? Se sim, até quando permanecerá no âmbito da legalidade, visto que os infortúnios o pressionam cada vez mais a recorrer a uma solução imprópria? Através de vários diálogos implícitos percebemos que Abel cresceu exponencialmente como um verdadeiro modelo do sonho americano. Percebemos também que a determinação em alcançar o sucesso de seu ganancioso empreendimento é o que realmente guia sua bússola moral.

 

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Oscar Isaacs demonstra ser um ator competente novamente, mas quem rouba a cena é Jéssica Chanstain (recebeu uma indicação ao Globo de Ouro pelo papel). A química construída pelos dois serve para destacar o contraste do casal: Abel é calmo, controlado, calculista, passivo. Já, Anna é impulsiva, emotiva, combativa. Embora, o contraste seja crucial para a manifestação da essência de ambos, apresentando comportamentos que revelam a cumplicidade e a dupla faceta que desempenham nas esferas familiar e executiva. O contexto misterioso, frio, obscuro e complexo do longa é acentuada pela iluminação sombria e amarelada.

Os detalhes impecáveis do figurino e design, em conjunto com a fotografia, criam a atmosfera de ambientes sofisticados e elegantes, mesmo quando a decadência é evidente na tela. Por meio de um roteiro incrível, O Ano Mais Violento, retrata com franqueza, num cenário pessimista, desleal e cruel, diversos temas como corrupção, sobrevivência, orgulho, meritocracia, poder, hipocrisia. Além do objetivo reflexivo que a trama deixa ao espectador, Chandor demonstra de maneira subjetiva, quão facilmente o controle sobre as situações, ações e pretensões pode ser perdido.

 

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RAFAEL CURCIO
RAFAEL CURCIO

 

Nota:7/10

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