CRÍTICA: O ABRAÇO DA SERPENTE (2016)

Por Rafael Yagami

Théo é um explorador europeu que conta com a ajuda do xamã Karamakate para percorrer o rio Amazonas. Gravemente doente, ele busca uma lendária flor que pode curar sua enfermidade. Quarenta anos depois, a trilha de Théo é seguida por Evan, outro explorador que tenta convencer Karamakate a ajudá-lo.

O colombiano Ciro Guerra assume a direção, com uma delicadeza e olhar cuidadoso na floresta e em seus personagens. Dividido em duas linhas temporais a edição é pouco eficiente para fazer o publico saber em qual tempo estamos de primeira vista, mas nada que prejudique a compreensão. O trabalho de câmera também é muito eficiente e criativo, ser filmado em preto e branco também é algo muito interessante, sendo que o filme se passa dentro da Amazônia, interessante a abordagem do diretor em se focar nos sentimentos e motivações, e não na beleza da floresta.

045798

O roteiro escrito pelo diretor, junto com Jacques Toulemonde Vidal, consegue passar para o publico um numero imenso de sentimentalismo e simbolismo, fazendo o publico refletir, tudo isso recheado com belíssimos diálogos. Destaque também para a fotografia, direção de arte e figurino, todos muito competentes.

O ator belga Jan Bijvoet, que já trabalhou no filme indicado ao Oscar “Alabama Monroe” entrega um trabalho aqui muito competente e humano. Nilbio Torres interpreta o melhor personagem em cena e também o melhor em atuação, o curioso é que ele pensava que iria ajudar em alguma pequena função para conseguir um dinheiro, mas foi lhe oferecido o papel principal, nunca tinha ido ao cinema e nunca ouviu falar em “Oscar” um talento escondido, grande descoberta da equipe, o mesmo aconteceu com Miguel Ramos, com etnia indígena e conhecedor de varias línguas locais, trazendo mais realidade além é claro do excelente trabalho na atuação. Antonio Bolivar também merece destaque no papel do Xamã na velhice.

El_Abrazo_de_la_serpiente

El abrazo de la serpiente no original se mostra como o melhor filme entre os indicados ao Oscar de filme estrangeiro, a produção colombiana conseguiu sua primeira indicação para o pais em 2016. Um filme rico em detalhes, sentimentalismos e metáforas, um excelente retrato da sociedade indígena, uma das tão mal tratadas no cinema, aqui tem seu devido respeito e amor pela sua eterna cultura.


56b42934-9154-42a3-af0a-8e70bc2400ad

Nota: 10/10

Rafael Yagami

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: