CRÍTICA: NEVE NEGRA (2017)

Por Eduardo Pepe

“Astros argentinos se encontram em thriller regado por dramas familiares”

Ricardo Darín talvez seja o ator latino mais respeitado e querido do cinema e Leonardo Sbaraglia não fica muito atrás e vem ficando mais conhecido internacionalmente, e dando excepcionais performances em filmes recentes como no grande sucesso “Relatos Selvagens” e em “O Silêncio do Céu”, dirigido pelo brasileiro Marco Dutra. Então é natural se esperar boa coisa vindo do encontro dos dois (ambos estão em “Relatos Selvagens”, mas não chegam a contracenar).

Junta o encontro dos dois com o fato do filme ter sido um grande sucesso na Argentina. Até o momento, trata-se da maior bilheteria do ano de um filme argentino por lá. Felizmente, pode se dizer com tranquilidade que “Neve Negra” cumpre o que se propõe. Não é muito ousado nem em termos narrativos nem visuais, mas cumpre o que deseja ser: um suspense atmosférico tenso.

@Foto Divulgação

Na trama, temos o retorno de Marcos (Leonardo Sbaraglia) e sua esposa, Laura (Laila Costa), para a cidade natal dele após a morte de seu pai, porém logo descobrimos que o real motivo da viagem é mesmo vender um bem herdado; um terreno que recebeu uma proposta milionária de compra de uma empresa do Canadá. Entretanto, é necessário que o irmão Salvador (Ricardo Darín) concorde. Acontece que ele vive recluso morando lá desde jovem e não parece ter a mínima vontade de se mudar. Algo o prende ali. Pouco a pouco vamos entender o motivo, sobretudo, através de flashs backs que mostram o passado da família.

O diretor Martin Hodara em seu segundo longa-metragem, mostra segurança em criar a atmosfera de tensão do filme. As cenas internas da casa onde boa parte da trama se passa são claustrofóbicas e sombrias, já as externas que mostram as montanhas de neve da Patagônia assustam pela imensidão da paisagem. A fotografia ajuda muito nesse sentido, contrastando a escuridão das cenas internas com a forte iluminação das cenas externas, mas ambas dão o mesmo clima de tensão e melancolia que ronda o filme.

@Foto Divulgação

No elenco, Darín tem uma performance sólida, mas não tão arrebatadora quanto o habitual pela natureza excessivamente fechada e calada de seu personagem. Sbaraglia, por sua vez, funciona perfeitamente com seu olhar tenso que tenta passar firmeza, mas resguarda muita angústia. Apesar das boas atuações dois astros argentinos, quem acaba chamando mais atenção é a Laila Costa, que tem a personagem mais enigmática.

Discretamente, a personagem começa se mostrando uma espécie de espectadora da trama ao também desconhecer o passado da família do marido e pouco interagir no desenvolvimento da história. Entretanto, sua participação acaba sendo fundamental e a atriz em composição minuciosa rouba a cena. Também merece destaque o veterano Federico Luppi na pele do divertido advogado da família. Ele traz ao filme um pouco de humor ácido, outro ingrediente que certamente contribuiu para o sucesso do longa.

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AUTOR DO TEXTO:

EDUARDO PEPE

 

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