CRÍTICA: NEGAÇÃO 2016

Por: Rafael Mayrink

Algumas verdades não merecem ser lembradas, mas não é só por isso que devemos acreditar que nunca existiram.

Negação poderia ser mais um filme de investigação/julgamento como qualquer outro já visto, em sua história ela tem tudo que em um filme de gênero necessita, mas existe algo mais importante e que os clichês não conseguem apagar, a história de um horror que não foi esquecido.

Na trama acompanhamos a disputa jurídica de Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz) e David Irving (Timothy Spall), que a acusou de difamação quando ela o declarou como um negador do Holocausto. Neste caso, o sistema jurídico inglês diz que o acusador é quem precisa provar o fato, deixando para ela a tarefa de provar a verdade sobre o caso.

O filme tem sua definição entre o bem o mal, o vilão e mocinho. No início as coisas demoram acontecer, deste o momento do recebimento da notificação do processo até o começo do julgamento parece ser uma perspectiva mais negativa para Lipstardt, principalmente em muitos diálogos com os advogados, mas este trabalho nunca se torna cansativo, por mais que você desconfie de tudo que esta acontecendo, tornando-se cada vez mais interessante as escolhas.

O elenco trabalha muito para transparecer sua dedicação com o longa.  Até aquela atriz coadjuvante tem seu momento de importância, tudo é muito bem utilizado para deixar o seu publico dentro do que esta acontecendo. Mas o elenco principal que esta excelente. Spall consegue ser aquele tipo de personagem que você sabe que vai odiá-lo deste o primeiro minuto, e sua construção é feita para isso, e  muito é mérito da interpretação do ator. Weisz também esta em um ótimo momento, sendo uma personagem inteligente, impulsiva, mas que ao mesmo tempo percebe que não pode fazer isso sozinha. E os poucos momentos que Tom Wilkinson aparece ele rouba a cena.

A fotografia é gelada, escura e retrata muito bem com a situação, o filme contem uma cena no  Auschwitz, que é um horror visual e isso tudo fica mais pesado por causa de uma trilha sonora pontual, presente nos momentos certos, em muitos caso para deixaro acontecimento mais pesado.

Denial (em inglês) tem muito a dizer e consegue ser uma ótima opção para história e seus erros, ainda tem uma boa discussão sobre liberdade de expressão, além de tudo se tornando um filme importante para atual situação de um país que vivemos.


Rafael Mayrink

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