CRÍTICA: NA CAMA COM VICTORIA (2017)

Por Eduardo Pepe

 

“Comédia dramática francesa retrata mulher moderna e independente em crise”

 

A Victoria do título é uma advogada independente que cria sozinha suas duas filhas. Ela passa por maus bocados, não consegue estabelecer um relacionamento minimamente saudável com nenhum homem, tem dificuldade em cuidar das filhas, vive tendo problemas com seus clientes pra lá de problemáticos. O filme é basicamente um retrato da vida dela. A história mais para frente se desenvolve em duas tramas de tribunal; um processo que ela mesma esta movendo e um caso que ela defende um homem da acusação de agressão feita por sua namorada.

Mesmo desenvolvendo essas tramas de tribunal, o filme é mesmo um estudo de personagem. É interessante que a personagem Victoria não vai por caminhos fáceis. Ela não se esforça em ser simpática, ela não apela para a pena do espectador nem demonstra grandes amores pelas pessoas à sua volta, incluindo, mesmo suas filhas, com quem ela tem uma relação distanciada, ainda que harmoniosa. Apesar de tudo isso, Victoria é uma personagem absolutamente humana. Tenta sempre acertar, fazer o que acredita que é certo, mas acaba se confundindo no meio do turbilhão de sentimentos e confusões que cria para si mesma. E ela tenta de tudo para se ajudar, desde ir no psicólogo até visitar uma cartomante.

© Frenetic Films

A atriz Virginie Efira tem uma atuação impecável. Ela não busca vitimizar a personagem. Quando a personagem é fria ou dá uma patada em alguém que não merece, ela não busca tornar esse ato menor ou passar como se fosse uma distração da personagem.  Ela deixa claro que age assim porque quer assim. Ao mesmo tempo, ela é exímia nos momentos de vulnerabilidade. Toda a fortaleza que ela constrói nos outros momentos se dissolve nesses outros.

O maior elo emocional da personagem e em consequência do espectador é a relação da protagonista com Samuel, ex-cliente dela que ela aceita acolher em casa em troca de ser babá de suas filhas. O personagem se interessa e sintoniza com a Victoria de uma forma que ninguém mais consegue. Ele, pouco a pouco e com paciência, vai se aproximando dela e mostrando ao espectador os aspectos mais positivos da personagem. Aspectos esses que ela costuma esconder em seu cotidiano. O ator Vincent Lacoste exala doçura e naturalidade no papel.  

© Frenetic Films

Apesar de todos esses acertos, o filme só não é maior por nem sempre achar seu timming, em especial, o cômico. As tramas de tribunal demoram acontecer assim como demora para a personagem se revelar. Com isso, demora também para o espectador entender e se interessar realmente pela história. O aspecto cômico poderia ser mais incisivo para gerar mais dinamismo e empatia, porém, apesar de ocasionais acertos, ele se mostra tímido. Por outro lado, quando ajeita seu prumo narrativo, “Na Cama com Victoria” acerta no retrato de uma mulher moderna e independente que apesar do julgamento inicial vai se mostrando humana como qualquer outra.   

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AUTOR DO TEXTO:

EDUARDO PEPE

 

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