CRÍTICA: MULHERES DO SÉCULO 20 (2017)

Por Rafael Yagami

Na Califórnia dos anos 70, uma mãe tenta cuidar de sua família da melhor forma possível enquanto também procura respostas para as vidas de suas duas jovens amigas – uma fotógrafa aficcionada pela cultura punk, e uma amiga de seu filho.

A direção fica a cargo de Mike Mills, conhecido por “Toda Forma de Amor” filme que rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante para o grande Christopher Plummer. Em seu novo trabalho o diretor faz uso de uma abordagem mais social buscando proximidade com o publico, ágil e nunca no piloto automático, fica claro o esforço em contar uma história da forma mais dinâmica e interessante possível; usando sequencias de imagens históricas, comparações entre uma e outra e uma narração suave que conduz o espectador dentro do próprio mundo onde ele vive como se fosse uma viagem onde você enxerga seu próprio universo de outro ângulo. O filme sempre sabe para onde quer ir e não tem medo de tocar em tabus da sociedade, na base pode ser considerado um filme feminista, e não seria errada tal afirmação, porém o produto final nunca se limita a um único movimento.

O roteiro assinado pelo próprio diretor, além de ser inteligente se mostra muito original, a saga de uma mãe solteira criando sem ajuda de um homem seu filho é destrinchada fio a fio passando por todos os passos da criação do caráter. É fácil se identificar com tal panorama, é fácil de se apaixonar pelos personagens, todos desenvolvidos á favor da trama, unidos e um completando o outros. Não temos tempo para sentir instabilidade na produção, talvez o único deslize seja na hora do desfecho final onde a trama fica um pouco estagnada e deixa de ser tão criativa como estava sendo desde o minuto inicial.

Abrindo o elenco temos a grande Annette Bening, uma das atrizes mais injustiçadas no Oscars, dona de atuações marcantes em “Beleza Americana” e “Minhas mães e meu pai”. Foi ignorada na premiação esse ano, porém seu desempenho não precisa de prêmios para ter valor, transmite muito sentimento com um olhar firme e extremamente intensa em cena, um desempenho grandioso. Greta Gerwig e Elle Fanning são as coadjuvantes perfeitas, conseguem fazer a trama andar e passo a passo contagiam o publico com seus desempenhos.

O jovem Lucas Jade Zumann aqui em seu segundo filme se mostra uma boa aposta para o cinema, ator com personalidade e entrega momentos emocionantes ao lado de Annette. Billy Crudup está aqui com um desempenho aceitável, porém totalmente engolido por qualquer outro personagem.

20th Century Women no original, não teve o reconhecimento que merece na temporada de premiações 2017, sendo apenas indicado no Oscar em roteiro original e algumas indicações nas categorias de comédia do Globo de Ouro. Não é o melhor filme do ano, mas com certeza está entre os melhores, tem uma direção e roteiro criativo e um elenco afinadíssimo, merece ser apreciado.


RAFAEL YAGAMI

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: