Crítica: Mommy(2014)

Por Lucas Giordano

 

O que leva uma mulher despreparada a ter um filho ? E o que leva esse filho ser tão apaixonado por essa mãe tão despreparada ? São essas perguntas, e mais muitas, deixadas para se refletir sobre as relações das famílias – principalmente entre mãe e filho – do mundo, em MOMMY, novo filme do ” menino prodígio ” do cinema contemporâneo, Xavier Dolan. Aos 25 anos, o garoto já é um dos principais nomes do cinema mundial, com 4 filmes ( fora Mommy ) que dirige, escreve, e as vezes, até atua. O único que filme que já consegui assistir dele é EU MATEI MINHA MÃE, que é um dos melhores filmes não – americanos que já vi. Mas devo admitir: Esse filme supera. Eu não conheço bem a vida do diretor, mas com certeza, ele pois muita coisa de sua juventude em seus filmes, e nesse não é diferente.

484062O filme começa indicando ser uma ficção – científica, em um futuro distópico bem próximo ( 2015 para ser exato ), onde mães podem internar filhos problemáticos sem nenhum problema, nenhuma complicação. Diane Després ( que tem o chamativo apelido de Die ) é uma dessas mães, que internou seu filho Steve em uma clínica. Steve sofre de uma hiperatividade muito forte, tornando-o as vezes, um pequeno delinquente. Quando Steve é expulso da clínica, ele tem que voltar a conviver com sua mãe nada convencional em um bairro classe média-alta no Canadá. A relação dos dois, que na primeira cena parecia esquecida, vai se aquecendo, se dobrando, e os dois, cada vez mais separados, ao mesmo tempo vão se unificando. A relação enriquece, uma vizinha aparece, eles não se julgam, porém, os problemas se mutuam. A cada dia que se passa, a relação dos três ( sim, a vizinha está junto ) vai ficando cada vez mais sensitiva, mas ao mesmo tempo feroz.

Screen+Shot+2014-10-03+at+3.51.29+PMXavier Dolan apenas filma tudo usando uma razão de aspecto 1:1, que ao longo do filme, o espectador vai entendo o porque de ele usar isso. Você se sente preso com o Steve em seu drama pessoal ( ou familiar ? ), e cada vez mas, a tela vai se tornando agonizante para quem assiste, e até para os personagens. E novamente: Ele filma tudo. Tem uma cena em especial, uma cena em 360 graus, que é tão espetacular quanto a filmada pelo Matt Reeves em PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO. Ele consegue conduzir extremamente bem seu aspecto, mesmo em ambientes fechados, quanto em ambientes abertos. Ele sempre foca em apenas um personagem. E quanto mais o personagem está solitário no enquadramento, mais a obra fica perfeita. E o jovem diretor continua sendo implacável: ele é produtor solo do filme, figurinista, montador, e claro, roteirista. E que roteiro…. quantas mensagens, quantas polêmicas. Quanta cena arrasadora, desoladora, destruidora.

trio-explosif-de-MommyNo papel do problemático Steve, está Antoine-Oliver Pilon. Inigualável, implacável, impagável. Ele se solta, se rende, se entrega ao papel. E cabe a Dolan, permiti-lo a improvisar ( duvido que não tenha nenhuma improvisada no filme ). No papel de Die, está Anne Dorval ( que esteve presente em EU MATEI MINHA MÃE ). Poderosa, autoritária, cômica. E para fechar, temos Suzanne Clément, no papel de Kyla, a vizinha dos Déspres, que está em uma atuação arrasadora, digna de Oscar, mesmo as vezes, ficando deslocada na trama, em algumas vezes que o espectador se pergunta: ” Por quê ela está no filme ? “. Mas mesmo assim, ela excelente.

pegasus_LARGE_t_1581_106435336Uma história polêmica, sobre relações entre familiares, que podem chegar a atos insanos. O amor, as vezes é o que nos destrói, nos rende. E o mundo é perverso, preconceituoso e machista. Isso nos é passado por Xavier Dolan nessa maravilha de filme. Que venha o próximo…

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LUCAS GIORDANO
LUCAS GIORDANO

 

Nota: 10/10

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