CRÍTICA: MÃE SÓ HÁ UMA (2016)

Por Rafael Yagami

Pierre um adolescente tem seu mundo virado de cabeça para baixo quando descobre que sua mãe o roubou da maternidade ainda bebê e o criou como seu próprio filho, fazendo também o mesmo com a menina que ele achava que era sua irmã. As coisas complicam quando ambos são separados e mandados para suas famílias biológicas, onde a pressão de ser algo totalmente novo e pessoas desconhecidas ao seu redor faz do local um inferno.

A direção fica a cargo da competente Anna Muylaert, uma das melhores diretoras em atividade no Brasil, reconhecida mundialmente com o candidato oficial do Brasil no Oscar 2015 “Que Horas Ela Volta” chega aqui com mais paixão e competência. E claro todo o cuidado da diretora em contar uma história tão complicada, não deixando sentimental demais ou forçado. O jogo de câmera horas é minimalista e outras focado, mostrando assim a rotina com clareza dos indivíduos em cena.

201614704_1_-_h_2016

O roteiro é assinado pela própria diretora com colaboração de Marcelo Caetano, um dos pontos altos do filme. Livremente baseado em uma história real, merece destaque pela forma não clichê em retratar um assunto pesado, deixando de lado outros quesitos e focando nos sentimentos, dificuldades e cicatrizes dos nossos atos. Personagens reais e cativantes, bem desenvolvidos, cheio de camadas, tudo com seu devido cuidado e respeito.

No elenco temos como protagonista o novato Naomi Nero se mostrando como uma excelente descoberta para o cinema nacional, o jovem ator mesmo com poucos diálogos consegue transmitir muita rebeldia e solidão, um grande estudo de personagem e um grandioso trabalho que merece reconhecimento. O grande Matheus Nachtergaele ótimo em cena dispensa elogios, uma atuação real e contida na medida certa. Dani Nefussi é a emoção do filme, a dor é muito real pelos olhos da atriz, o publico sente e se importa um grande trabalho. Daniel Botelho é outro ator mirim que rouba a cena, quase como alivio cômico para a trama, nada forçado ou sem sentido.

507838

Mãe Só Há Uma é mais um excelente trabalho de Anna Muylaert, serve muito para reflexão sobre valores e conseqüências de atos. Com certeza fará o publico refletir e se colocar no lugar de uma família nessa situação. Emocionante, impactante e chocante, é uma das produções mais honestas dos últimos anos e um dos melhores filmes do ano.


56b42934-9154-42a3-af0a-8e70bc2400ad

Nota: 10/10

Rafael Yagami

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: