CRÍTICA: LOVING (2017)

Por Rafael Yagami

5estrelas1Richard e Mildred Loving, um casal interracial, são presos em junho de 1958 por terem se casado. Jogados na prisão e exilados do estado onde viviam, eles lutam pelo matrimônio e pelo direito de voltar para casa como uma família.

No comando desta incrível produção temos Jeff Nichols, jovem e excelente diretor que já produziu obras como “O Abrigo” e “Amor Bandido” e aqui entrega seu trabalho mais intimista e tocante, usa e abusa de planos abertos e closes nos rostos dos personagens em momentos importantes, além de explorar muito bem a beleza da natureza. Nada aqui fica melodramático, o primeiro ato é mais lento, porém necessário para conhecermos os personagens e sentir empatia por eles, além é claro para ficarmos familiarizados com a atual situação dos Estados Unidos naquela época.

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O roteiro é leve e muito fácil de compreensão, não tornando a situação mais complicada do que já é, além é claro de ser uma situação tão ridícula que nem parece algo que aconteceu realmente, não ter direito de se casar com quem você quer parece algo absurdo atualmente, mas naquela época era apoiado por muitos. Personagens bem construídos e trabalho de pesquisa também se destacam. O interessante aqui é notar mais uma vez a não tentativa de fazer o publico chorar, apenas os fatos são apresentados de forma cronológica e crua, fazendo o espectador se sentir dentro desse universo de racismo e repressão.

No elenco temos a nova, porém maravilhosa Ruth Negga, aqui em seu primeiro papel de extremo destaque, além de se notar a semelhança física que compartilha com sua personagem a atriz encarnou trejeitos, modo de falar, caminhar e até olhar. O olhar dessa atriz é penetrante e apaixonante, um desempenho maravilhoso que merece destaque e uma indicação ao Oscar. Joel Edgerton também entrega um desempenho incrível, pode parecer que esse personagem não tem ação ou personalidade, mas é um trabalho de atuação minimalista e contida, seu sotaque pesado e trejeitos fazem seu personagem ser interessantíssimo e merecedor de reconhecimento. Michael Shannon em sua pequena participação marca presença, além é claro de fazer uma linda homenagem as fotografias clássicas do casal Loving.

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Loving no original foi bem recebido em Cannes e Ruth e Joe conseguiram indicação ao Globo de Ouro em atuação dramática, é uma história de amor e uma luta dura e injusta contra o estado racista, a batalha foi muito dolorosa e os frutos toda a população colhe até hoje, tudo começou aqui e continua até hoje. Um grande drama, dirigido com maestria e excelentes atuações, merece ser lembrado no Oscar.


RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI

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