CRÍTICA: LION – UMA JORNADA PARA CASA (2017)

Por Rafael Yagami

Quando tinha apenas cinco anos, o indiano Saroo se perdeu do irmão numa estação de trem de Calcutá e enfretou grandes desafios para sobreviver sozinho até de ser adotado por uma família australiana. Incapaz de superar o que aconteceu, aos 25 anos ele decide buscar uma forma de reencontrar sua família biológica.

Garth Davis assume a direção do projeto, dentre seus trabalhos anteriores temos a serie “Top of the Lake” e aqui temos uma trama que necessita da emoção do espectador. Dividido em dois blocos centrais, onde o primeiro foca na infância de Saroo e em como ele se perdeu, primeira parte e melhor parte do filme, muito bem dosado e andando no limite com o sentimentalismo barato, a forma em que o diretor explora a cidade grande é incrível, causando medo e desconfiança até mesmo nos adultos, um ambiente sombrio e perigoso. Na segunda parte temos problemas que vão desde roteiro, atuações e até a edição, muito frenética e cortando totalmente o vinculo de descoberta estabelecido no primeiro bloco.

O roteiro é baseado no livro de memórias que o próprio Saroo escreveu e aqui é adaptado por Luke Davies, um dos problemas centrais é a inconsistência dramática, personagens criados apenas para estar de corpo presente, diálogos extremamente tocantes e alguns melodramáticos demais. No primeiro bloco apenas seguimos o pequeno até a sua adoção, no segundo bloco temos um relacionamento dele com sua namorada, totalmente vazio e ainda um irmão adotado que causa muitos problemas, onde nenhum deles é explorado, o filme não quer abrir vertentes para outros diálogos, tirando uma grande cena com a personagem da Nicole Kidman, o filme quase soa como uma propaganda do Google, o que não seria nada demais, desde que esse filme, como obra cinematografia desse espaço para todas as sub tramas que ele cita e joga fora no mesmo momento.

No elenco começando pelo grande astro mirim Sunny Pawar, entrega o melhor desempenho da produção, doí pensar que ele não esta indicado ao Oscar, atuação sincera, com os olhos ele transmite medo, desconfiança e muito amor, uma das melhores atuações de crianças dos últimos anos. Dev Patel conhecido por “Quem Quer ser um Milionário?” também está ótimo em cena, seu melhor trabalho até o momento, um desempenho esforçado e fazendo jus a trama original. Nicole Kidman é outra que arrasa aqui, mesmo aparecendo pouco, tem um desempenho marcante e emocionante, protagoniza a melhor cena da produção que não envolve o pequeno Saroo.  Por ultimo Rooney Mara aqui totalmente esquecida e sem nada para fazer, atriz extremamente talentosa numa personagem rasa.

Lion no original, vai tocar com certeza as pessoas, é necessário esperar até o último minuto da produção para se entender o seu título. Com um elenco esforçado, duas grandes atuações, fotografia linda e trilha sonora tocante, mereciam um roteiro e direção á altura, seria um desses filmes para ser lembrado, mas o material entregue não é digno de aparecer entre os melhores dos melhores no Oscar de Melhor Filme.


RAFAEL YAGAMI

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