crítica: Hitman: Agente 47 (2015)

Por João Paulo Rodrigues

 

Gamers continuarão sofrendo com a falta de qualidade de bons filmes sobre jogos. Muitas vezes, se torna doloroso demais quando percebe que não existe esse alinhamento entre um bom filme e uma boa adaptação. Muitas vezes se afastar demais do projeto atrapalha e outras vezes a fidelidade sem uma linguagem cinematográfica adequada, faz do projeto ser bem duvidoso. Com isso em mente, a segunda adaptação de Hitman: Agente 47 deixa no ar um problema além de ser um bom filme ou não: a fidelidade de um jogo pode se considerar adequado para a tela grande? E se não, é possível que seja trabalhado em outras mídias existentes?

A segunda readaptação de Hitman nos cinemas toma um ponto interessante. O projeto deveria ser estrelado por Paul Walker, mas com a morte dele, o papel caiu para Rupert Friend de Homeland. Mesmo com um outro diretor, o roteirista do filme original Skip Woods também trabalha na segunda versão, além de trabalhar como produtor do filme. A surpresa é ver o compositor Marco Beltrami fazendo a trilha sonora do filme.

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Hitman é uma franquia da IO Interactive que começou em 2000 com o jogo Hitman: Codename 47. A franquia sempre teve esses dois elementos: jogo de terceira pessoa e também com elementos de Stealth. Após isso, a franquia começou a criar seus frutos com o bem sucedido Hitman 2: SilentAssassin, HitmanContracts, HitmanBlood Money, HitmanAbsolution e Hitman, que sairá no ano que vem para as plataformas de nova geração de videogames.

O filme de 2015 foi incrivelmente massacrado nas críticas americanas e não é por menos. O filme não consegue ter uma personalidade que o espectador sinta em dizer: é um filme de ação. Em realidade, é uma fita de ação com sequências de ação genéricas e por muitas vezes, entediantes. Ou se pode cair em uma redundância em dizer: é um filme baseado em videogame, o que esperava? qualidade?.

Óbvio que ainda vai continuar essa mentalidade ou pensamento que não possa existir uma coexistência entre as duas artes e que nunca se devem se misturar que não dá certo. Se sabe que esse tipo de conceitos básicos empobrece esse debate por que nos últimos anos, os games estão abrindo um espaço que o cinema antes não conseguia gerar no espectador que é a “liberdade” de vivenciar sua história. Em ser um “diretor” de uma experiência diferenciada. Muitos já reconhecem esses avanços que fizeram os games na cultura atual. Porém agora é a hora de fazer as perguntas corretas.

Esse novo Hitman consegue trazer na tela todos os elementos do personagem. Não existe a necessidade de deixar ele mais romântico. Ele é o que é, o que pelo menos deixa mais crível. Existem alguns takes e situações que conseguiram ser mais próximo ao que é o personagem. O que talvez erram e muito é acreditar que Hitman é um personagem de ação, mas em realidade, é um personagem literalmente silencioso. Mas pelo menos o filme aproveita em algumas cenas a questão da distração, famosa pelo seu personagem. O mais importante, Rupert Friend pelo menos consegue encarnar bem ao personagem, mesmo com uma voz bem suave em comparação ao dublador do personagem original.

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Entretanto, se nota que deveria ser bem mais trabalhado o conceito de Hitman se fosse uma especie de série de TV que uma adaptação cinematográfica. Muitas vezes se um projeto é necessário desenvolver melhor ou se determinadas características soam mais naturais se for em um outro formato, melhor. Além disso, dependendo do projeto, claro, serviria como um alivio por que é mais susceptível o erro em uma série que no cinema. Por que nos erros vem as lições que vão desde como desenvolver um personagem melhor, de como deixar essa característica do jogo mais natural do que no cinema.

Hitman tem apenas como o único acerto visível de ser mais fidedigno ao personagem entretanto, assim como séries que sucumbiram a necessidade de ser uma fita de ação, aqui não foi diferente.  Claro que está longe de ser um dos piores filmes do ano, mas ao invés de focar mais da riqueza ambiental que tem a série, apenas focou na ação monótona e fria. É bom adaptar ao cinema e mais ainda é bom quando se é bem fiel ao produto original. Entretanto, continuará essa balança tão desigual que o espectador gamer continuará perdendo mais uma grande oportunidade de ver um jogo ser tratado com respeito na tela grande.

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JOÃO PAULO

 

Nota: 4/10

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