Crítica: Histórias de Amor (2012)

 

Por Tom C.P.

 

O trintão Jesse Fisher (Josh Radnor) acabou de terminar um relacionamento, quando recebe o convite de Peter Hoberg (Richard Jenkins), seu professor favorito na época da faculdade, para comparecer em seu jantar de comemoração à aposentadoria na universidade. Jesse levava uma vida vazia e sem muito entusiasmo e acaba aceitando retornar ao lugar onde viveu parte de sua juventude. Sua chegada lá é como entrar em uma máquina do tempo e revisitar todas as memórias e sentimentos de anos atrás. Contudo, os dormitórios, os seminários, as festas, as loucuras, paixões.. Nada disso mexe tanto com o homem quanto Zibby (Elizabeth Olsen), uma estudante de 19 anos, madura, bonita e apaixonada pela vida e pelas artes. Esse esbarrão com Zibby desperta em Jesse algo há muito adormecido dentro dele: o interesse pela vida e pela cultura de um modo que o faz enxergar o mundo com outros olhos. A jovem estudante colore o livro preto e branco de Jesse.

O sentimento nostálgico que a trama consegue transmitir é espetacular e aqui a jornada de Jesse é uma montanha russa. Ao conhecer Ziggy, o homem volta a viver de uma maneira que não vivia há muito tempo e, atrelado ao personagem zen de Zac Efron, Nat, que pode representar o próprio lado adormecido, juvenil e aventureiro, de Jesse, ele se reencontra com um espírito de coragem e bravura que os adultos vão perdendo aos poucos. Além do próprio espírito entusiasta, questionador, crítico e apaixonante reconquistado em Jesse através de Zibby. Contudo, entra o professor Peter já quase no final do passeio na montanha russa para colocar o antigo aluno de volta nos trilhos. “Ninguém se sente um adulto. Esse é o segredo sujo do mundo”, palavras duras do próprio professor que mostram que, embora para todo mundo, não importa a idade, há incertezas e insegurança, conforme o ser humano vai amadurecendo, ele se polícia e contém mais certos impulsos que jovens não pensam duas vezes antes de se jogarem de cabeça.

A história é uma delicia, porém com um final amargo e de certo modo moralista quanto ao julgamento de relacionamentos entre duas pessoas de diferentes idades. Ainda sim, vale a pena ser visto pelas questões que propõe. Não se deixe enganar, o título nacional engana, este não é um longa sobre amor, mas um drama reflexivo sobre a vida.

(Liberal Arts)
2012
EUA

TOM CP
TOM CP

 

Nota: 8 / 10

 

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