CRÍTICA: HIROSHIMA, MEU AMOR (1959)

Por Rafael Yagami

Hiroshima, 1959. Uma atriz francesa casada veio de Paris para trabalhar num filme sobre a paz. Ela tem um affair com um arquiteto japonês também casado, cuja esposa está viajando. Nos dois dias que passam juntos várias lembranças vêem à tona enquanto esperam, de forma aflita, a hora da partida dela. Ela conta que foi “tosquiada”, pois se apaixonou por um alemão quando tinha apenas 18 anos e morava em Nevers, sendo libertada no dia em que seu amor foi morto, já no final da 2ª Guerra Mundial. Por ter amado um inimigo ela foi aprisionada por sua família numa fria e escura adega e agora, 14 anos depois, novamente sente o gosto de viver um amor quase impossível.

A direção fica a cargo do francês Alain Resnais que consiste em dividir a trama em três arcos, onde no primeiro e mais longo é mostrado imagens de Hiroshima e sua tragédia acompanhado de uma narração em forma de poema. Logo em seguida nos é apresentado os personagens e a possível trama, onde depois tudo muda mais uma vez. Foi o pioneiro na arte de edição com flashback aqui feito de forma excelente. Porém o ritmo atrapalha um pouco a produção, as passagens de arco são bruscas demais e deixam o filme um pouco arrastado, mesmo sendo apenas 1h30 de duração.

O roteiro de Marguerite Duras é um espetáculo a parte, diálogos poderosíssimos e personagens impactantes, choca e emociona. Aqui nós somos brindados com um misto de sensações e desejos, vergonhas e lamentações, tudo feito com perfeição e muito talento. Mais que merecido sua indicação ao Oscar.

No elenco temos Emmanuelle Riva indicada ao Oscar pelo filme “Amor”, aqui entregando um trabalho igualmente a nível de Oscar, atriz expressiva e muito intensa, desempenho apaixonante. Seu parceiro de tela Eiji Okada não sabia francês quando estava gravando o filme e memorizava seus diálogos mesmo não sabendo o que queriam dizer, só por isso já é um desempenho incrível, pois nada dessa dificuldade e insegurança são mostrados pelo seu personagem, química com Emmanuelle ao nível máximo.

Hiroshima, mon amour no original é um grande clássico do cinema, inovador e muito importante para toda a criação de uma técnica usada de forma exagerada hoje em dia. Elenco forte, texto forte e direção forte constroem um filme imortal. Recomendo para aqueles que gostam de filmes antigos, para iniciantes a experiência pode ser desconfortável no inicio, mas não desistam, tudo é recompensado no final.


RAFAEL YAGAMI

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