CRÍTICA: FRANTZ (2017)

Por Eduardo Pepe

 

“Diretor francês realiza delicado conto humanista sobre o período posterior a Primeira Guerra.”

 

O diretor François Ozon é conhecido por sua versatilidade. Ele filma bastante realizando quase um filme por ano e dos mais diversos, passando pela comédia feminista “Potiche – Esposa Troféu” ao drama sensual “Jovem e Bela”. O cineasta tem variadas abordagens, mas em geral seus filmes são marcados pela força dos personagens femininos. O auge disso está em “8 Mulheres”, que como o próprio título entrega é protagonizado por oito atrizes incluindo boa parte da nata francesa.  

 

© filmcoopi

Em “Frantz” temos um diretor mais simples e convencional em sua abordagem. Conhecemos um casal de senhores e uma jovem que moram juntos em uma pequena cidade na Alemanha no período posterior a Primeira Guerra Mundial. Logo descobrimos que ela iria se casar com o filho deles, mas ele morreu tragicamente na guerra. A rotina melancólica da família é interrompida pela chegada de um jovem francês que se revela amigo do falecido, que se chamava Frantz.

 

© filmcoopi

Aos poucos vamos entender a relação desse jovem francês com Frantz e mais ainda como a presença dele vai impactar na vida dessa família que estava estagnada com a perda de um ente querido. Ozon usa essa história para fazer um retrato melancólico do pós-Guerra e um conto humanista que mostra como a guerra afeta a todos da mesma forma, seja a pessoa de qual país for.

 

© filmcoopi

 

Com uma belíssima fotografia em preto e branco, o filme ganha literalmente cores nos momentos em que os personagens saem de suas rotinas tristes e adquirem momentos de felicidade e real beleza. Ajuda também a delicada trilha sonora que contribui muito também para o clima. E o resultado não seria o mesmo se o elenco não fosse recheado de bons atores. Destaque naturalmente para o casal central, interpretados por Pierre Niney e Paula Beer, que é uma autêntica revelação. Ambos em composições delicadas conseguem expressar a angústia e, no desenrolar do filme, a progressiva libertação de seus personagens. A boa presença dos dois atores conduzem o filme com sensibilidade, mesmo quando a trama se mostra, por vezes, um tanto previsível.    

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AUTOR DO TEXTO:

 

EDUARDO PEPE

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