CRÍTICA: FOME DE PODER (2017)

Por Rafael Yagami

A história da ascensão do McDonald’s. Após receber uma demanda sem precedentes e notar uma movimentação de consumidores fora do normal, o vendedor de Illinois Ray Kroc adquire uma participação nos negócios da lanchonete dos irmãos Richard e Maurice “Mac” McDonald no sul da Califórnia e, pouco a pouco eliminando os dois da rede, transforma a marca em um gigantesco império alimentício.

John Lee Hancock assume a direção, dentre seu trabalho mais conhecido está o drama “Um sonho possível” filme que rendeu a Sandra Bullock o Oscar de melhor atriz. Aqui temos uma estrutura episódica que flui de maneira inteligente, estabelecendo primeiro seu personagem principal, seus passos até chegar ao seu objetivo. Outro ponto forte da direção é que o filme não parece uma propaganda gratuita de uma marca, pelo contrário em muitos momentos é feito criticas a esse tipo de empresa e como elas fazem de tudo para lucrar com pouca qualidade.

O roteiro escrito por Robert D. Siegel, o mesmo de “O Lutador” trás duplicidade a trama onde o protagonista é odiado e admirado ao mesmo tempo pelo espectador. O paralelo criado no texto é muito bem conduzido pelo excelente elenco, atores mais fracos não teriam conseguido passar tamanha duvida onde se ficamos do lado os irmãos, Mcdonalds não seria o que é hoje. A forma como é construído tijolo por tijolo a decadência na comida para apenas pensar em rapidez e números é bem chocante. Destaque para os personagens cheios de camadas, sentimos seu dilema a cada decisão e tudo recheado com ótimos diálogos.

Michael Keaton está diabolicamente maravilhoso aqui, é um personagem mesquinho, arrogante, passivo agressivo e oportunista, tudo isso é conduzido de forma magistral, um excelente trabalho. Nick Offerman, tem o melhor personagem da trama, o criador do método “fast food” aqui é mostrado como uma pessoa que não pensava em baixa qualidade, era tudo baseado na rapidez com comida boa e fresca, cada mudança, cada facada nas costas é mostrado apenas com o olhar. John Carroll Lynch excelente como sempre é o apoio perfeito para seu irmão e Laura Dern infelizmente aqui com pouco material para trabalhar some do filme.

The Founder no original é por incrível que pareça um filme cruel sobre roubo, ingenuidade e desonestidade, o retrato de uma das maiores empresas do mundo, onde tudo foi construído a base de muita enganação. Com um elenco maravilhoso, roteiro firme e direção com presença vai agradar a todos aqueles que gostam de uma boa historia de origem, pena ter sido esquecido completamente na temporada de premiações.


RAFAEL YAGAMI

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: