Crítica: Eu, Você e a Garota que Vai Morrer (2015)

Por Lucas Giordano

 

Após “A Culpa é das Estrelas”, “Cidades de Papel” entre outros filmes adolescentes, chega o modesto Eu, Você e a Garota que Vai Morrer. Isso é o que o público vai pensar quando entrar na sala de cinema. Mas não, nada disso. Esqueça os filmes do John Green e seus primos. Eu, Você e a Garota que Vai Morrer não é um simples romance adolescente; não é um simples filme sobre uma garota que vai morrer; não é um simples romance improvável. O filme de Alfonso Gomez-Rejon é uma carta de amor. Amor ao cinema, amor à vida, amor a nós mesmos.

O filme, baseado no livro de Jesse Andrews, conta a história de Greg, um jovem egoísta, que se acha insignificante, que praticamente é obrigado à passar um tempo com Rachel, uma garota de seu colégio diagnosticada com leucemia, acaba vivendo os melhores momentos de sua vida. Os dois compartilham experiências. Rachel mostrando a Greg como a vida pode ser boa com ele, e Greg  levando-a para seu mundo, onde parodia clássicos do cinema em curtas-metragens, com ajuda de seu amigo Earl. E o filme se baseia em como sua amizade vai crescendo e como os dois se sentem com isso. Tudo, pelo ponto de vista de Greg, que também narra a história.

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O diretor Alfonso Gomez-Rejon passeia e desliza pelo dia-a-dia de Greg literalmente fazendo o espectador se tornar um personagem do filme. Você sente que conhece Greg, Rachel e Earl. Você se sente amigo deles, mais que um mero observador, o diretor (ou o Greg, se preferir ) te convida a entrar dentro da vida deles. Isso logo de cara, na primeira cena, nos primeiros diálogos. E diálogos, estes primoros, escritos pela mesma autora do livro, enriquecem o filme com humor controlado, clichês usados à favor da trama, e um drama simples, sincero, feito com um cuidado que me fez desabar em lágrimas sem nenhum exagero.

Tudo no filme se completa de maneira igual. A montagem ágio, leve, que não cansa de maneira alguma o espectador. A fotografia linda que acompanha Greg nos melhores dias de sua vida, com Rachel. A trilha que embala belas cenas memoráveis. E um elenco de brilhar. A excelente Connie Briton faz a mãe de Greg, e suas poucas cenas, são as melhores, graças a sua atuação. Nick Offerman, que vive o pai de Greg está absurdamente hilário. Molly Shannon vive a mãe de Rachel, e como Connie, faz maravilhas em suas cenas. O jovem RJ Cyler, o Earl, está excelente. Ao mesmo tempo cômico, passa uma força incrível ao personagem. Porém o filme é dos protagonistas. Tomas Mann ( Greg ) mostra em seu primeiro trabalho de peso que tem capacidade de ser um grande ator no futuro. Greg tem caracterísitcas únicas, e Tomas consegue passar tudo o que o personagem pensa, sente e faz, de forma perfeita. E Olivia Cookie dá um show como Rachel, uma personagem que ao mesmo tempo frágil tem uma força incrível e uma vontade de viver de invejar. Olivia se entrega ao papel de corpo e alma, e faz o espectador se apaixonar pela personagem logo em sua primeira cena. Tomas e Olivia tem uma perfeita sincronia, e protagonizam cenas de fazer você sorrir, gargalhar, chorar, se emocionar, e torcer perdidamente para que seja mais que uma amizade.

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Ao final, Greg não é insignificante, Rachel não morre, não é um filme sobre alguém que está morrendo, mas sobre alguém que quer viver imensamente, e você acompanha tudo de perto, fazendo parte do filme, dos amigos e da família. O título nacional é ideal: Eu, você e a garota que vai morrer.

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LUCAS GIORDANO

 

Nota: 10/10

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