CRÍTICA: ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (2017)

Por Rafael Yagami

1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Theodore Melfi assume a direção, dentre seus trabalhos anteriores temos a comédia “Um Santo Vizinho” que foi indicada ao Globo de Ouro, aqui temos um trabalho muito superior e muito diferente, partindo do princípio de ser uma história real, o cuidado dado a suas personagens é incrível. O jogo de câmera é ágil e o ritmo nunca faz o público ficar inquieto, mesmo sendo três protagonistas, todas tem seu espaço na trama e todas conseguem brilhar, uma dádiva do trabalho de edição que é muito competente. A trilha sonora é animada e combina perfeitamente com a produção, contando com musicas de Pharrell Williams, Janelle Monáe e Mary J. Blige, todas perfeitamente encaixadas nas cenas.


O roteiro assinado pelo próprio diretor merece desataque por mostrar uma época tão tensa e muito difícil para a população negra nos Estados Unidos, o clima de guerra fria e a tensão entre os países combatentes é muito palpável, retratando eventos desde o medo do primeiro satélite russo em orbita até o fato de os mesmos não conseguirem desenvolver uma geladeira doméstica. A segregação também é retratada com clareza, não querendo vitimizar ninguém, só mostrar a dura vida dessas pessoas. O filme também conta com personagens fortes e importantes para a história, as três protagonistas são um espetáculo em cena, cada uma com sua personalidade e opinião.

No grande elenco temos uma equipe muito competente, começando com Taraji P. Henson entregando um desempenho muito suave e decidido, a atriz convence em mostrar ser uma mestra em matemática e têm momentos dignos de Oscar, uma indicação seria muito bem vinda. Octavia Spencer aqui em uma personagem bastante determinada a não ser deixada para trás, um desempenho bonito. A cantora Janelle Monáe decidiu se aventurar no cinema e ela não poderia ter feito uma escolha melhor, personagem cheia de carisma e domínio em cena, sua jornada pelos seus estudos é o momento mais emocionante da produção e merecia ser lembrado no Oscar de atriz coadjuvante.


O filme ainda conta com o multipremiado Kevin Costner, aqui como chefe da NASA, um desempenho ok, mas nada de muito diferente do que o ator está acostumado a fazer atualmente. Jim Parsons é o personagem mais nojento do filme e torcemos por sua derrota a todo o momento e Kirsten Dunst está aqui para ser odiada, mas tem suas razões e sua redenção no final.

Hidden Figures no original é um grande sucesso de bilheterias e teve sua trama baseada num livro do mesmo nome, uma história que ficou por muitos anos em segredo. Importantíssimo para a representatividade e para mostrar que grandes conquistas não são só méritos dos Brancos. A mensagem passada pela produção além de ser bonita, deveria o mais rápido possível ser vivida por todos nós, somos todos iguais e juntos somos imbatíveis, diga não ao preconceito!


RAFAEL YAGAMI

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