CRÍTICA: ELLE (2016)

Por Rafael Yagami

4estrelasMichèle é a executiva-chefe de uma empresa de videogames, a qual administra do mesmo jeito que administra sua vida amorosa e sentimental: com mão de ferro, organizando tudo de maneira precisa e ordenada. Sua rotina é quebrada quando ela é atacada por um desconhecido, dentro de sua própria casa. No entanto, ela decide não deixar que isso a abale. O problema é que o agressor misterioso ainda não desistiu dela.

Dirigido pelo holandês Paul Verhoeven, conta com uma filmografia diversificada, sendo seu trabalho mais conhecido e icônico, o provocante “Instinto Selvagem”, aqui em seu mais novo trabalho o lado provocativo está elevado a um nível estratosférico. Enganasse quem acha que este projeto é apenas sobre vingança ou violência contra a mulher, o diretor pega esses dois temas e abre para milhares de possibilidades, a trama fluem bem, apenas no terceiro ato que tudo se torna respetivo demais, menos 20 minutos de projeção seriam suficientes para condensar toda essa alegoria.

1043278

O roteiro é de uma estranheza enorme, a trama é destrinchada abrindo espaço para diversas sub tramas e muitos coadjuvantes, onde cada um tem seu espaço e faz da cabeça do espectador um grande palco onde ninguém presta, todo mundo trai todo mundo e no final todo mundo ainda continua vivendo a mesma vida miserável. O tratamento dado a sua personagem principal é bizarro de tão intenso, tudo gira em torno de suas escolhas estranhas, de seus maneirismos e de seu sendo passivo agressivo que é levado literalmente até o final da projeção.

Isabelle Huppert, a grande atriz francesa aqui finalmente sendo vista por todo o mundo entrega um desempenho assustador, é impossível não questionar suas escolhas e é ainda mais impossível não tirar os olhos de sua personagem, sem dúvidas um dos melhores trabalhos do ano. Laurent Lafitte entrega um personagem estranho, misterioso, esquisito e muito duvidoso, seu sorriso chega a ser arrepiante. Judith Magre, a mãe da protagonista, aparece pouco, mas deixa sua marca. Anne Consigny, Charles Berling e Jonas Bloquet, tem pouco espaço e o usam muito bem a favor do filme.

tumblr_ogbmv0b8dr1slsalco3_1280

Elle no original é um dos melhores filmes do ano, com uma atuação monstruosa e uma direção/roteiro muito firme, com menos 20 minutos seria perfeito. O desfecho deixa a desejar um pouco, decisões rápidas demais que se for pensar demais não fazem sentido e em determinado momento a trama fica estagnada e monótona, mas vale a pena por sua protagonista estupenda neste filme que é possivelmente o mais louco do ano.

Indicado ao Globo de Ouro 2017 nas categorias: Melhor Atriz em Drama para Isabelle Huppert e Melhor Filme Estrangeiro.


RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: