CRÍTICA: DOLORES (2017)

Por Alysson Meloo

 

Hoje em dia existem diversas produções em parceria junto ao Brasil fazendo conexão e projetos em conjunto como o recente ‘O Silêncio do Céu’ 2016, e agora temos ‘Dolores’ que é uma co produção entre Brasil e Argentina, onde temos atores argentinos e atores brasileiros na produção, isso mostra o quanto a diversidade e parcerias estão sendo formadas e o quanto o cinema está crescendo, se diversificando e se reinventando ao conseguir trazer boas histórias ao público .

O longa parte da premissa de contar uma história que se passa durante a segunda guerra mundial, onde o público é apresentado a personagem Dolores (Emilia Attías), uma mulher que ficou muitos anos longe da Argentina, e precisa retornar ao seu país natal para cuidar de seu sobrinho após a morte de sua irmã. chegando ao local, Dolores reencontra Jack (Guillermo Pfening), um homem por quem ela foi apaixonada durante toda a sua adolescência e com quem inicia um complicado romance, entretanto Dolores conhece Octavio Brand (Roberto Birindelli), um rico fazendeiro filho de alemães, ao qual ela fica interessada e inicia um caso misto de paixão e ódio.

O diretor Argentino Juan Dickinson que tem no currículo longas pouco conhecidos e em boa parte documentários, aqui além de dirigir Juan também é o autor do roteiro e nesse trabalho ele pode montar um aspecto bem interessante ao ter o cuidado de criar uma história de época, que se passa durante a segunda guerra mundial, onde se teve o cuidado na montagem do enredo, em trazer bastante veracidade aos fatos ocorridos, assim como as locações, figurino e elenco. Ele conseguiu captar boas atuações por parte do seus protagonistas e a ambientação bem caracterizada para o tempo mostrado no filme.

Como protagonista temos a atriz argentina Emilia Attias que ficou mundialmente conhecida por seu papel na novela teen ‘Casi angels’ (Quase Anjos no Brasil) após a série ela se adentrou no mundo do cinema participando de varias películas. Ela alem de possuir beleza e presença em cena, conseguiu captar bem a essência da personagem titulo ‘Dolores’, uma mulher ao qual teve de lutar muito para conseguir as coisas e que passou por perdas seja no amor e na família, a atriz faz uma boa interpretação e soube conduzir sua personagem seja na frente das câmeras, na forma de olhar e mostrar ao público todos os sentimentos aos quais ela está vivenciando.

Seu parceiro de cena temos o ator argentino Guillermo Pfening no qual teve o seu primeiro papel no longa ‘Nascido e Criado’ 2006, mas ficou mais famoso no Brasil pelo seu papel no filme ‘O Médico Alemão’ 2013, aqui dá vida ao personagem Jack, o grande amor de Dolores. Ele tem uma atuação satisfatória e possui uma boa química com a Emilia e juntos na tela transbordaram sensualidade e paixão. Formando o triângulo amoroso temos o ator Roberto Birindelli conhecido por seus trabalhos em novelas e séries da rede globo e esteve recentemente nos cinemas no longa ‘O Crime na Gávea’ 2017 ele interpreta o personagem Octávio, o ator possui um papel de pouco destaque no enredo mas tem forte presença quando aparece e além de possuir um bom entrosamento com Attias nas cenas de apelo mais dramático, dando todo o teor e autenticidade a suas cenas no roteiro. Ainda entre os destaques temos o ator Jandir Ferrari que atuou em muitas produções na televisão e cinema, nessa história ele interpreta o personagem Virtuoso o capataz da fazenda, possui poucas cenas e falas mas tem o seu papel dentro da narrativa.

O roteiro que é um dos acertos do longa, faz referencia a vários filmes clássicos onde envolvem um triângulo amoroso entre dois homens e uma mulher, numa época de pura repressão militar e guerras, o enredo sugere tratar -se de apenas um romance em plena segunda guerra mundial, mas o diferencial esta em mostrar a guerra em segundo plano e focar em todas as angustias, inquietações e romances mal resolvidos do passado e que nem o tempo apagou as marcas de um amor verdadeiro e intenso ao qual Dolores viveu ainda como adolescente. Possui uma ótima fotografia com pontos altos de iluminação e a profundidade no uso das tomadas tanto internas quanto externas. A narrativa pecou em não aprofundar algumas situações em que os arcos das historias ficaram soltos, além de personagens que poderiam ter sido melhor aproveitados, e o seu desfecho que poderia ter mostrado um pouco mais sobre o desfecho dos personagens, deixando tudo em aberto e subentendido mas, nada que tire o brilho da obra.


Esse é um filme que tem o seu mérito por mostrar uma história de uma mulher forte, lutadora, decidida e bastante sensível. Apesar da época que foi ambientado, é um filme com tema bem atual que fala sobre perdas e da falta de sensibilidade ao se entregar a uma paixão sem fronteiras sem pensar nas consequências, fala também sobre afeto, amor, amizade, companheirismo e lutas por dias melhores. Será possível uma mulher ter dois amores? esse é um dos questionamentos que a narrativa nos passa que lembra muito ao ótimo longa ‘Dona Flor e seus dois Maridos’. Dolores nada mais é do que uma história de amor camuflada em fragmentos de uma guerra mundial onde o amor fala mais alto, trazendo toda uma melancolia e dura cidade a momentos de puro êxtase e exaltação de amor e sentimentos que vão além da flor da pele.

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ALYSSON MELO

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