CRÍTICA: DIVINAS (2016)

Por Rafael Yagami

5estrelas1Em um gueto, uma comunidade verdadeiramente carente, o tráfico local se confunde com a religião. Dounia, uma jovem que mora na comunidade, decide tentar vencer na vida, seguindo os padrões do lugar onde mora: ou seja, ela pretende se tornar uma traficante tão reconhecida e poderosa quanto Rebecca. Para isso, ela terá a ajuda de Maimouna, sua melhor amiga. No entanto, a verdade é que Dounia não sabe onde está se metendo.

No domínio completo da produção temos a excelente Houda Benyamina, aqui em seu primeiro trabalho que ganhou grande visibilidade e passou pelo festival de Cannes, temos um filme muito peculiar e diferente do que é produzido atualmente, a diretora quis focar nas escolhas e consequências de suas personagens, tudo isso com um excelente jogo de câmera captando o necessário de cada cena, nada aqui é gratuito, o ritmo também é dosado tão bem que o público não sente o tempo passar.

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Assinando o roteiro a diretora teve parceria de Romain Compingt e Malik Rumeau e somando forças chegam a um resultado final doloroso e de cortar o coração, personagens cheio de camadas e sentimentos pulsantes fazem o espectador sentir muita empatia pelos personagens, retrata muito bem a pobreza de outros lugares do mundo, o interessante é notar a forma real e não apelativa apresentada na produção, é apenas a realidade nua e crua, realidade que muitos vivem diariamente, onde a pobreza impulsiona a vida no crime. O final é um dos mais chocantes do ano, a intensidade aqui é tão dolorosa como se você estivesse vivendo aquilo, o corte é perfeito e termina com maestria.

Já começo citando que todo o elenco é excelente e muito vivo, mas alguns merecem destaques, Oulaya Amamra a nossa personagem principal entrega um desempenho assustadoramente intenso, é uma personagem muito expressiva, seguimos todos os seus passos e mesmo ficando contra suas escolhas nós a entendemos e não conseguimos tirar os olhos dela, um grande desempenho da atriz. Sua amizade com Déborah Lukumuena na produção é tão bonita que é impossível o público não se sensibilizar com as reviravoltas envolvendo as duas.

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Divines no original, uma produção da França e Qatar foi aclamado pela critica em todo o mundo e agora foi adquirido pelo Netflix para distribuição mundial, que inclui o Brasil, está indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e a única coisa que falta é a sua atenção, promete e cumpre entregando um relato real e doloroso sobre onde nossas escolhas nos levam e que infelizmente os inocentes sempre pagam no final.


RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI

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