CRÍTICA: COMO ESTRELAS NA TERRA – TODA CRIANÇA É ESPECIAL (2007)

Por Tom C.P.

 

Aparentemente inofensivo e bobo, Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial tem bastante a dizer e a ensinar. Muito utilizado em cursos de pedagogia, letras e psicologia, o longa põe em discussão a falta de preparo para identificar e lidar com crianças com problemas, os quais podem afetar de forma irreversível o aprendizado e a vida desses indivíduos.

 

A fita é indiana e mostra de forma sensível e cativante a história do jovem de 9 anos, Ishaan Awasthi (Darsheel Safary). Ele não consegue acompanhar a aula com os demais colegas de sala e isso o isola, o fazendo se dispersar fácil para um mundo divertido que ele cria em sua cabeça. Ishaan estava repetindo o ano e provavelmente reprovaria mais uma segunda vez. O problema começa ai, quando os professores, totalmente despreparados, acreditam que o menino era desobediente e mal educado. Os pais, por falta de informação, também não percebiam que o problema do menino não era desobediência. Adotando medidas drásticas, o pai que não tinha nem um pouco de paciência e amor pelo filho, o envia para um colégio interno longe de casa. Aparentemente era mais fácil se livrar do problema do que resolvê-lo.

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No colégio interno, a vida de Ishaan não é fácil. Com métodos engessados e arcaicos, professores tão despreparados quanto os da outra escola, fazem da vida do menino ainda pior. O garoto vai perdendo sua cor, se escondendo ainda mais dentro de si mesmo e ele nutre um sentimento de derrota e abandono, em especial pela família. São cenas de deixar até mesmo as pessoas de coração duro em lágrimas. Contudo, a situação muda quando um professor substituto de artes entra na escola por um curto período. Nikumbh (Aamir Khan) possui uma didática completamente diferente em sala de aula, ele traz luz para aquele colégio tão imerso em monotonia e escuridão. Suas aulas são uma via de mão dupla, onde o aluno constrói o conhecimento junto do professor, o qual não está ali apenas para cobrar respostas corretas e erradas do aluno, mas para fazê-los pensar e valorizar o que cada um tem de melhor. Ao contrário do descaso dos demais professores, Nikumbh nota que havia algo de errado com Ishaan, pois ele era o único que não estava se divertindo com as aulas. Ao invés de jogar pedra no menino, ele busca a causa daquilo numa investigação profunda na vida do jovem estudante, descobrindo que ele possuía dislexia e por isso não conseguia aprender. De forma bondosa, Nikumbh passa a fazer nada mais que seu papel, ser um professor de verdade. E, ao contrário de todos os outros professores que passaram pela vida de Ishaan, o substituto não se acomoda e passa a ajudar o menino.

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A fita pode causar certo desconforto inicial em quem não esta acostumado com cinema indiano, pois é muita música, além de que a duração é de quase três horas. Ainda sim, é difícil não se deixar cativar pela história e pelos personagens. As três horas passam voando e em momento algum o filme se torna cansativo e chato. A atuação do pequeno Darsheel Safary é fantástica, ele consegue transmitir com franqueza e comoção a história de seu personagem. Aamir Khan é outro que com seu professor passa bondade nos olhos o tempo todo. O filme é obrigatório para quem trabalha na área de ensino e deve ser visto por todos os demais para lembrar que as pessoas ao nosso redor sempre precisam ser tratadas com amor e atenção.

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TOM CP

TOM CP

 

Nota: 9/10

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