CRÍTICA: COLOSSAL (2017)

Por Eduardo Tavares

 

“Filme usa alegoria com monstros para abordar a luta pessoal de uma mulher alcoólatra”

Em uma cidade na Coréia do Sul, tudo normal até surgir do nada um terrível monstro na cidade. A cena é cortada abruptamente e se avança 25 anos. Então, o que parecia ser um “filme de monstro” se mostra com um drama de approach bem indie; Gloria (Anne Hathaway) enfrenta uma crise tanto na vida pessoal quanto profissional. Sem emprego e sem motivação, ela vive desorientada e bebendo muito. Por esses motivos, acaba se desentendendo com o namorado e voltando para cidade onde nasceu. Lá, ela fica na casa dos seus pais que já faleceram. Nesse retorno, ela acaba reencontrando um velho amigo de infância (Jason Sudeikis), que passa a ser de grande ajuda nessa nova fase da vida dela. Com isso, o filme parece se desenvolver como um tradicional drama independente com pitadas de humor ácido. Entretanto, o monstro lá da primeira cena retorna. E pouco a pouco vamos entendendo a relação entre esses “dois filmes” aparentemente desconexos. O diretor e roteirista Nacho Vigalondo tem uma ideia absurda e criativa para unir as duas tramas que não apenas se mostram interligadas como dependentes uma da outra.

No decorrer da trama, se percebe o uso dos monstros como uma alegoria para os personagens entenderem e lhe darem com seus dramas pessoais, em especial o alcoolismo, o principal problema da protagonista. Glória é uma mulher que demonstra ter tido um passado promissor, cheio de objetivos e sonhos, mas que foram pouco a pouco sufocados por seus distúrbios pessoais. Anne Hathaway transmite bem essa sensação de uma jovem linda e promissora, mas que pouco a pouco foi se desconectando e afastando do que esperava que fosse sua vida.

© Studio / Produzent

O grande porém do filme, entretanto, é o eixo dramático do personagem de Jason Sudeikis. Apesar da competência do ator, o roteiro não desenvolve seu personagem de forma que sua mudança de comportamento pareça convincente. Muito pelo o contrário, seu comportamento parece mesmo uma desculpa do roteiro prolongar o conflito do filme. Outro aspecto que enfraquece o longa é a reviravolta explicativa no final. Ela vem para tentar trazer respostas a um fato central absurdo que o espectador deve encarar como uma simbologia narrativa. Nesse sentido, a justificativa tenta amarrar um nó de uma forma que acaba mais enfraquecendo a história do que trazendo, de fato, um tom sólido e convincente.

Apesar desses problemas do roteiro, o filme tem uma sustentação sólida nos conflitos internos da personagem, bem defendida por Hathaway, e uma direção competente em equilibrar um drama intimista e um suspense de maiores proporções. Além do mais, uma trama inusitada como a que se desenvolve no filme não se vê todo dia. Por essas razões, “Colossal” é aquele filme que mesmo com suas imperfeições ainda é um filme a ser destacado.

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AUTOR DO TEXTO:

EDUARDO PEPE

 

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