Crítica: Carol (2016)

Por Rafael Sousa Domingos

 

Na Nova York dos anos 50 se encontra Carol, uma mulher elegante e Therese uma jovem atendente de uma loja de brinquedos. Em circunstâncias normais isso não seria algo estranho, porém a época onde o filme se passa é a era do preconceito a homossexualidade, onde sair do armário era a coisa mais baixa que uma pessoa podia fazer, levando esse fato em consideração Carol precisa esconder seus desejos mais profundos de seu marido e filho com sorrisos e olhares, enquanto Therese não tem certeza sobre seus sentimentos, em meio a esses fatos nasce uma história de amor proibido.
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A Direção é do Todd Haynes, entre os seus trabalhos mais notáveis estão a mini série produzida pela HBO: Mildred Pierce e o drama estrelado pela Julianne Moore: “Longe do Paraíso”, ambos elogiados e premiados pela crítica. Mesmo com uma carreira pequena o diretor já com seus 55 anos deixa sua marca registrada: Grandes atuações e maravilhosas retratações de épocas. Aqui a leveza é usada ao extremo, às vezes até demais, com seu ritmo suave os fatos demoram para acontecer, deixando o filme um pouco arrastado no seu segundo ato.

Cate Blanchett está absolutamente assustadora em cena, esbanja elegância, classe e sutileza, com poucos olhares e apenas um toque o espectador já acredita que esse amor é real, um grande estudo de personagem, com certeza um de seus melhores papéis. Rooney Mara conhecida por seu jeito reservado e fechado, aqui se encontra jovem e charmosa, seu olhar penetra o mais fundo possível, de longe a melhor atuação de sua carreira, a todo o momento demostra suas dúvidas perante a esse novo mundo que se apresenta sobre ela, ao mesmo tempo retribui essa atração de forma muito convincente.

Completando o elenco temos Sarah Paulson de American Horror Story e Kyle Chandler da série Bloodline, ambos muito bem e ambos necessários para trama, sendo o fio condutor do conflito geral.

Nos quesitos técnicos a perfeição é indiscutível, muito bem fotografado, é lindo de se ver, o publico compra a ideia e se vê dentro do filme, direção de arte, figurino, maquiagem e trilha sonora, estão em uma sincronia cirúrgica. Destaque para a Trilha sonora composta Carter Burwell, também compositor da animação “Anomalisa”, consegue transmitir sentimentos pela música e preencher todas as lacunas silenciosas com uma melodia leve e reconfortante, forte candidato ao Oscar de melhor trilha sonora original.

 

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Ovacionado no festival de Cannes por 10 minutos, Carol parece ser figura certa na temporada de premiações, com grande atuações e quesitos técnicos perfeitos, se prova um grande filme, porém o mesmo não pode ser dito do roteiro, um tanto morno, adaptação do livro de Patricia Highsmith, não será a coisa mais memorável de Carol, e nem será o motivo de incerteza. Merece ser assistido e refletido, um amor difícil, porém real.
RAFAEL SOUSA DOMINGOS
RAFAEL SOUSA DOMINGOS

 

NOTA: 9/10

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