CRÍTICA: CAPITÃO FANTÁSTICO (2016)

Por Rafael Yagami

5estrelas1Ben é o pai de seis crianças pequenas, que decide fugir da civilização e criar os filhos nas florestas selvagens do Pacífico Norte. Ele passa os seus dias dando lições às crianças, ensinando-os a praticar esportes e a combater inimigos. Um dia, no entanto, Ben é forçado a deixar o local e retornar à vida na cidade. Começa o aprendizado do pai, que deve se acostumar à vida moderna.

A direção fica nas mãos extremamente competentes de Matt Ross, que já tem uma carreira consolidada como ator e aqui em seu segundo projeto de direção, Matt entrega seu melhor trabalho até agora, o nível de sutiliza e simbolismo presentes na produção é sensacional. Domínio completo de todos os aspectos, ritmo leve e muito gostoso de assistir, cinematografia belíssima, locações grandiosas e uma fotografia que capta da melhor forma possível a beleza da natureza.

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O roteiro tem um segredo, pode realmente ter uma trama já batida, porém como tudo é desenvolvido e principalmente o cuidado com cada um dos seus personagens é algo incrível. São muitas crianças e cada uma delas tem uma personalidade e um espaço na trama, além de ter um lado reflexivo enorme e muito emocionante. Escrito pelo próprio diretor, o roteiro aqui entregue merece ser reconhecido em premiações, pelo seu valor reflexivo e extremamente tocante em todas as suas curvas e desfechos.

Viggo Mortensen, conhecido pelo seu papel icônico na trilogia “Senhor dos Anéis” foi indicado ao Oscar uma vez e aqui busca sua segunda nomeação, algo que pode acontecer, o desempenho aqui entregue além de ser suave é o fio condutor de toda a trama, é interessante notar e perceber todas as expressões e atitudes interpretativas do ator na produção, um espetáculo visual por si só.  Frank Langella, Ann Dowd e Kathryn Hahn são os destaques nos coadjuvantes, mesmo com pouco tempo em cena, cada um entrega um personagem interessantíssimo e muito tocante, uma faceta diferente para a perda e estranheza com o desconhecido.

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No elenco infantil o destaque de fofura vai para a jovem Shree Crooks, dona de uma das cenas mais maravilhosas do filme, Nicholas Hamilton e George Mackay entregam um desempenho maduro e muito consistente. Annalise Basso e Charlie Shotwell se destacam menos, mas protagonizam muitos momentos tocantes, ninguém esta ruim nesse filme.

Captain Fantastic no original já é um dos melhores filmes do ano, um dos mais bonitos e reflexivos em muito tempo. Direção afinadíssima e um elenco irretocável, é um prato cheio para todos aqueles que querem sorrir em um filme, ótima pedida para aquele que gostam de pensar fora da caixinha.

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Indicado ao Globo de Ouro 2017, na categoria de Melhor ator em drama.


RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI

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