crítica: Brooklin (2016)

Por Rafael Yagami

 

Já se sentiu deslocado na sua terra natal? já sentiu que onde você mora não tem nada para você? pegando carona nas perguntas temos Brooklin, que conta a história da jovem Ellis (Saoirse Ronan) que mora na Irlanda com sua mãe e irmã mais velha, sua rotina é sem graça e praticamente sem futuro, até que o padre da sua igreja com a ajuda de sua irmã conseguem um visto para ela morar e trabalhar nos Estados Unidos, a terra da oportunidade, mesmo com medo do novo, Ellis embarca nessa viagem de descoberta e oportunidades, tudo que sua terra não tem para lhe oferecer.

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O diretor também irlandês John Crowley, pega essa história baseada em um livro que tinha tudo para ser mais um filme clichê e transforma em algo incrivelmente humano e realista, o tom dramático está na medida certa, a reconstrução de atmosfera é maravilha e muito bem pensada, a direção é conduzida de forma lenta, procurando fazer o público ficar familiarizado com a situação e em muitas vezes se identificando com a protagonista. O roteiro foi um trabalho do excelente Nick Hornby responsável pelos aclamados pela crítica “Educação” e “Livre”, sendo indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado pelo primeiro e se encontra agora indicado mais uma vez por Brooklin, é interessante destacar que seu trabalho como roteirista é curioso, é sempre uma história que para todos os efeitos é simples e do nada ela é destrinchada de uma forma surpreendente, não é apenas uma menina tentando ganhar a vida em outro país, é uma menina em busca de futuro e oportunidades e ela leva para essa nova terra toda a sua tristeza e saudades da família, em nenhum momento isso é trabalhado como algo fácil, vai ser bom para sua vida, porém tem um preço.

No elenco temos a também irlandesa Saoirse Ronan, essa jovem de 21 anos e dona de um nome difícil de ser pronunciado e se supera a cada trabalho, conhecida por fazer a vida da Keira Knightley um inferno no filme “Desejo e Reparação” trabalho que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante quando tinha apenas 14 anos, em Brooklin consegue sua segunda indicação agora como atriz principal, seu nome entra para a história como a segunda atriz que conseguiu ser indicada ao Oscar quando criança e quando adulta, divide esse posto com a também premiada Jodie Foster. É importante destacar que sua indicação foi muito merecida, sua personagem tem muitas camadas e todas elas são transmitidas pela atriz, sentimos sua dor, sentimos sua felicidade e sua dúvida, faz o publico ser o principal no filme, uma atuação magistral. Emory Cohen faz o galante italiano e o interesse amoroso de Ellis, também muito competente, um personagem apaixonante junto com sua hilária família, ainda temos participações de Domhnall Gleeson, Jim Broadbent e Julie Walters, ambos ótimos.

Tecnicamente o design de produção domina o filme, extremamente belo e bem feito, merecia ter sido lembrado nas premiações, maquiagem leve, belos figurinos e a fotografia é perfeita, outra que está sempre a favor do filme, ajudando e muito a contar a história de lugar e época especifica. Trilha sonora leve e presente, e os efeitos especiais também são muito competentes.

Concluindo, Brooklin é um filme que surpreende pela mensagem que deseja passar, chegou como azarão nas premiações e surpreendeu a todos com sua indicação ao Oscar de Melhor Filme, deixando de lados favoritos como por exemplo “Carol”, o texto é muito bem feito, o tema de imigração está em alta, porém o filme não se sustenta nisso, o elenco é afinadíssimo e digno de reconhecimento. É fácil se identificar com essa jornada dolorosa e ao mesmo tempo frutífera, e enganasse quem acha que o filme é só isso, amizade, casamento e religião também são temas trabalhados no decorrer da trama, tudo equilibrado faz de Brooklin um dos melhores filmes do ano.

RAFAEL SOUZA DOMINGOS
RAFAEL YAGAMI

 

Nota: 10

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